sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Reclusão Espontânea

A semana foi complicada.
Dona Rose morreu.
Para os que não conheçem, a simpatissima Dona Rose era nada mais nada menos do que a pessoa que, em conjunto com o responsavel das clinicas em que fazia os trabalhos de autocad para a confecção das plantas dos estabelecimentos.
Minha relação com a Rose era um tanto quanto efemera, já que nos falamos somente por telefone e na sexta feira, quando ela sempre falava "vem buscar sua cervejinha" . Porém, falava com ela todos os dias. Pontualmente as 10:00 recebia uma ligação perguntando como estava o meu trabalho e me desejando um bom dia de trabalho. Mais uma vitima do abuso de nicotina. Com apenas cinquenta anos, o Destino resolveu mudar sua rota neste ultimo domingo, quando seu coração parou de forma fulminante, sem possibilidades de salvação.
Em meio a isso tudo, algumas expectativas frustradas, algumas lembranças do passado que me atordoaram em algum momento desta semana, me fazendo ver o vazio emotivo-sentimental em que me encontro.
Neste domingo, minha banda (TRAUMA) estará em estudio gravando nosso primeiro single "O que eu não pude ver" , e com isso, espero que as coisas aconteçam e que as oportunidades possam ser aproveitadas de uma forma justa, honesta e prazerosa. Porém preciso manter a calma.
Mesmo com a ansiedade que teima em me fazer pensar sobre isso durante as vinte quatro horas de meus dias, sinto que o momento chegou. O meu momento. A banda é boa, os rapazes animados e eu, cantando cada vez melhor, com possibilidades infinitas dentro de um mesmo estilo. Podendo colocar minhas poesias urbanas em minhas letras, assim como minhas experiencias na temática
EMO-VIOLENCE*.
Depois de uma quinta-feira "feroz", com todos os excessos possiveis de meu ser, colocados em prova durante o dia, encontro-me esgotado, necessitando descansar, nunca arrependido por viver de acordo com as minhas vontades e dominando meus próprios desejos. Mesmo que de alguma forma, eles me dominem.
Então, estou recluso a partir das 22:00 horas desta sexta-feira [horário final da faculdade] até a tarde de domingo, quando espero ter em mãos, um single poderosissimo, capaz de abrir as portas que há oito anos desejo que se abram.
Paz, Força e Sabedoria ...
*EMO-VIOLENCE: É composto por um som pesado, rasgado e misturado com melodias pegantes harmonicas , e as letras em sua maioria transpõe de emoções pessoais. Os vocais são pesados ou rasgados, dependendo da forma como é utilizada a tecnica gutural. Bandas que tocam Emo-Violence fazem uma classica batida de HardCore com vocais bem gritados e letras bem emotivas. São apenas subdivisões nas vertentes do Rock 'n Roll

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Encontros e Desencontros"

“Essas coisas que tornam importante qualquer acidente...”.

Nunca consegui planejar nada em minha vida. Sempre pensei, fiz contas, tentei por muitas vezes dominar o tempo que me acerca, mas infelizmente, nunca consegui. Sempre, e digo com franqueza, que até este presente momento nada do que planejei conseguiu um prosseguimento sem obstáculos. De coisas pequenas como ir ao cinema como coisas grandes como “o que eu estaria fazendo com 23 anos?”.

Devemos respeitar as amarras do destino e saber que o controle nunca estará em nossas mãos. Não temos o direito de brincar com o destino, manipulando-o e o tendo em nossas mãos. Quantas praias programadas não foram “molhadas” pela chuva que caia incessantemente logo no inicio de seu dia? E quantas vezes o seu dinheiro acabou antes do final do mês? E aquela pessoa com quem jurou amor eterno e um final feliz foi a maior decepção de sua vida?

Sim os acidentes existem, e não conseguiremos fugir disso. Alguns aproveitam estes acidentes para viver intensamente. Outros voltam ao inicio do norte para tentar se reprogramar, mesmo que saiba que nada é o foi no segundo anterior.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Minha vida, minha familia, meu querer...

Hoje gostaria de fazer um poema.
Dizer algumas palavras bonitas que pudessem interferir em sua vida.
Mas apenas consigo escrever algumas poucas palavras desconexas.
Em uma certeza quase que absoluta que você nunca lerá.
Mesmo o meu silencio fala quando estou pensando em você.
Coisas que nem meus pontos finais podem dizer por mim.
A cada dia que passa me sinto mais longe.
Porém a cada vez que te vejo me sinto menos só.
As atitudes não contabilizam os números de meu amor.
Rasguei a vida no peito.
Rasguei seus preceitos nos dentes.
A violência de minhas atitudes.
Foi tão grande quanto seu abraço ao retornar.
Minhas lagrimas de raiva.
Não chegam perto de suas lagrimas quando parti.
E muito mais de suas lagrimas ao voltar.
Completas mais um ano.
E mais uma parte de minha se vai.
Precisamos aproveitar.
Viver mais.
Brigar mais.
Sorrir mais.
Passar mais tempo juntos.
Esquecer que existimos um para o outro.
Mesmo que seja uma enorme farsa.
Nunca te esquecerei.
Como sei que nunca me esquecerás.
Minha inconseqüência me impossibilita de presentear-la
Mas essa minha tentativa de poema vai voar.
E transcender o que mais gostaria de mudar.
A melhor parte de mim.
Nada mais é aquela que você me aprova.
Pouquíssimas partes.
Mas muito amor.

Parabéns Mãe.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Do macaco a um quase homem...

Creio que já se passaram dois anos quando, em uma festa, ao sentir a vibração da caixa de som que estava perto de mim, tirava incessantemente o celular de meu bolso pensando que fosse alguma pessoa que desejava falar comigo, jóquei meu aparelho de telefone celular na primeira lixeira que encontrei ao final da festa citada. De lá para cá, ao namorar uma ex-colega da faculdade, adquiri outro. Este intervalo, de um ano e meio, me fez desacostumar dos celulares, dando graças a deus (ou seja, lá quem for), quando colocaram uma arma em minha face e me o tomaram tempos antes do carnaval deste ano.

A seguir, outro celular foi adquirido, este sendo perdido com a mesma rapidez da aquisição. Deste aparelho até a sexta-feira passada foram-se foram cinco meses de total paz. Claro que sempre ficava chateado ao escutar “Poxa queria te ligar ontem, mas esqueci que você não tinha celular” ou então comentários mais ásperos como “você tinha que ter nascido na época do meu pai”. Pois bem, o problema é que eu, um homem mezozóicamente novo, não possuo apego material por nada: Carros, roupas, tecnologias e tudo mais, salvam os aparelhos musicais que possuem importância semelhante a um relógio para um “homem normal”.

Com isso, quase comprei um celular ao viver meu “namoro interminável de três semanas” mas, não comprei por conta de preguiça e condições financeiras. Agora que estou bancando um cadista meia-boca para um cliente de meu patrão, tem sobrado algumas notas de bons valores em meu bolso, pensei no que fazer com o dinheiro. A quantia: R$ 50,00. Planos: nenhum.

Pensei em sair, tomar umas cervejas, quem sabe conhecer alguém e... O dinheiro não daria. Pensei em jogar todas as roupas do meu armário fora, ir a uma loja e... Também não daria. Logo, pensei em passar um final de semana em... Muito pouco. Resistência à parte, poderia muito bem ficar com o dinheiro no bolso, gastando gradativamente como sempre faço, mas não queria este dinheiro comigo, algo estranho, como se não quisesse ser reconhecido por aquele trabalho que estava fazendo, cheio de falhas e imperfeições e, tirando a vaga de uma pessoa mais capacitada. Na ultima quinta feira, ao não conseguir contatar um amigo, para saber se ele estaria comigo no show do Curumin, decidi vencer a resistência e comprar um celular.

Modelo adquirido o incomodo de ter um “quadrado em meu bolso” é quase que uma Constancia. Estranho porque não o pego para nada, às vezes, para ver as horas. Estranho ficar igual aos “teens” ajeitando agenda, hora, planos de fundo “da moda” e outras futilidades de um celular normal. Ele é bem simples, não tem nada destas modernidades, parece muito mais um celular de um idoso do que um celular de uma pessoa de 23 anos, mas, creio que já é um começo. Quem sabe um carro depois?

Pensando melhor, creio que celular já é um grande passo...


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

JAPAN POP SHOW

[Por conta da Correria Louca que a minha vida está, posto este texto com uma semana de atraso]
Quinta feira, dia 16/10, MOLA 2008, Circo Voador.
O dia já começa ao som de Curumin, artista que, desde 2005 espero por uma apresentação ao vivo. Sim, teve uma apresentação na festa Phunk deste ano, mas eu, estava sendo enganado um pouco no show do Zeca Baleiro. Mas ao ver a noticia não hesitei: Estaria naquele show de qualquer jeito.

Mesmo com o calor insuportável, com a falta de grana, e com a possibilidade de me frustrar já que tinha escutado por algumas pessoas que o show do Curumin não era dos melhores, fui. O trabalho foi bem, obrigado. Enrolei o máximo que eu podia enrolar para que não me cansasse muito, mas esqueci que mesmo parado, me canso.

Ao sair do trabalho, comprei uma janta (leia dois salgados borrachudos), entrei no ônibus e, após comer o meu “jantar”, religiosamente retomei ao meu ato sonolento que sempre incorpora ao fazer grandes percursos de ônibus. Quando acordei, vi que estava em um engarrafamento na ponte. Eles sempre me perseguem. Para completar, eis que senta uma pessoa ao meu lado e começa a conversar, desrespeitando meus fones de ouvido e me “cutucando” esperando uma resposta. Ao olhar para o lado, vi que não era um desconhecido total, mas um rapaz que havia assistido um show de uma antiga banda minha. Engraçado que antes ninguém falava dela, e agora que acabou, todos falam. Isso é que é reconhecimento do trabalho.

Ao chegar, uma preocupação: Onde estaria meu amigo, com quem havia marcado. Indícios me mostravam que ele não estaria lá, mas fielmente, no horário esperei. Ao ver que se aproximava do horário da entrada e a falta de telefones públicos decentes no Rio de Janeiro, considerando o tamanho da casa de espetáculos, entrei para não perder a cortesia que valia até as 20:00. Ao entrar, junto comigo adentrou o tédio. Sim, o evento não é dos melhores, nada contra as obras, mas é que elas parecem “inteligentes demais” para minha humilde percepção. Tinha a “caixa preta”, uma lona negra em que passavam curtas dentro dela.

Já dentro da casa, tomei a primeira facada: Cerveja R$4,00. Estranho que, por se tratar de um evento cultural, sem fins lucrativos e com a entrada liberada até uma certa hora, as bebidas continuavam no mesmo preço da tabela da casa. Vai entender. Encontrei alguns desconhecidos íntimos e alguns conhecidos que fiz questão de “desconhecer” momentaneamente. Logo, o tédio tomava conta de mim: Sentava, levantava, andava, bebia, mas sozinho o tempo demora um pouco mais a passar. Havia conhecidos, sim, porém a plasticidade e efemeridade me fizeram me retirar da presença deles para que eu pudesse aguardar com um pouco mais de calma e intelectualidade o show esperado. Me Ferrei.

Ao começar um set de sambalanço, a pista encheu e eu, como estava lá dentro, fiquei no meio. Um pouco tímido, só mexendo os ombros, porém logo, dançando como se estivesse em um concurso da pequena missa sunshine.

As bandas tocando, eu conferindo e logo... O sono apareceu para a festa também. O resquício de um dia completo de trabalho foi se acomodando, uma vez que sou uma pessoa completamente diária, e não um noturno qualquer como era há três anos. Acabei entrando na caixa preta para puxar um soninho, e assim foi até que uma apresentação de Rap teve inicio dentro do recinto. Acordei meio tonto, mas havia descansado o suficiente para retornar ao convívio social. Após o show uma orquestra inusitada de reggae/ska/dub, sobe o artista em questão e começa a ajeitar sua própria bateria. Humildade de poucos artistas com o reconhecimento que este possui.

O povo brasileiro é uma desgraça mesmo, e minha misantropia atingiu nível máximo quando a maioria dos presentes se retiraram sem sequer escutar uma musica do artista que estava como atração principal. Pois bem, instrumentos ajeitados, “Mal estar Card” inicia os trabalhos, sendo possível notar somente eu, e mais duas garotas, dançando e cantando a música. Sobre o show, creio que todos os elogios ainda seriam poucos para denominar tamanho talento, porém, a forma despretensiosa e informal de se apresentar ao publico que me chamou atenção: Os andamentos eram mais lentos, as letras ora trocadas, ora intercaladas com canções desconhecidas, enfim, um show de emoção e verdade na apresentação deste paulista/japonês.

No final do show, era chegada a hora de “tietar”. Até me estranhei porque geralmente não costumo esperar, mesmo que o artista seja de meu agrado, mas, esperei. Logo ele viu algumas pessoas esperando e simplesmente parou de fazer o que estava fazendo e começou a conversar com o pessoal. Ao final de tudo, estava eu, ele e seu produtor com uma câmera registrando nossa conversa me mais de 40 minutos sobre a cena, criatividade musical, o “samba estranho” como é denominado o som em questão e logo os autógrafos, fotos e a promessa de que em janeiro estaríamos juntos em sua próxima vinda no Rio de Janeiro.

Os três ônibus necessários para voltar, a chuva que molhava metade do mundo, o “cachorro frio” que causou uma azia tremenda, o sono, o olho inchando por algum motivo desconhecido, e a certeza de que eu seria “produção nota zero” no trabalho seguinte não conseguiram tirar minha alegria de ler no encarte do JAPANPOPSHOW os dizeres: “Guilherme, Blessssss... CURUMIN”
Enfim, saldo positivo em mais uma noite em que teria tudo para dar errado, mas para a infelicidade de muitos, o pouco que sobrou, me bastou... E muito.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Correria, Taquicardia, Correria

Não fiz processo seletivo para Atlas,
mas carregar o mundo nas costas dessa forma está sendo ótimo.
Agora, aguardar as novidades que já estão acontecendo.
Prometo uma postagem decente amanhã

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Campo Minado

Aqui eu preciso escutar surdamente.
Aqui eu preciso ver cegamente.
Sem mais palavras, para demonstrar insatisfação.
Mas com várias idéias para mostrar meu valor.
Hoje, o cansaço toma conta de mim.
Cansaço ótimo, e a esperança de um final melhor.
Feliz não, só melhor já está bom.
Preciso de uma Cama.
Preciso de uma cerveja.
Preciso de um Amor.
De verdade se possivel, daqueles bem bonitos e reciprocos...
Surfando com minhas ideias em um campo minado.
Sou eu, sem a menor piedade de mim [*]
[*] Citação incidental de "Aos Poloneses do Brasil" de Waldir Batone

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Calor

O calor está matando.
Essa semana foi horrível, passei mal quase todos os dias por conta do calor exacerbado e a falta de ventiladores decentes em meu trabalho. Temos um ventilador, bem longe de mim, e que ventila para o alto. Sinto-me um salgado de padaria com tanto calor. Já não consigo mais ir ao bebedouro, uma vez que quando volto dele, já estou com sede novamente. Nos primeiros dias, vim de calça comprida, esperando que o tempo mudasse repentinamente como sempre vem acontecendo.

Engano meu. Parece que dessa vez o tempo firmou e com isso, já podemos pensar na possibilidade de uma praia. O "único" problema é que estou pensando isso na segunda feira. Quer dizer, faltam muitos dias para que o pensamento se torne uma hipótese a ser concluída.

Nunca gostei muito de calor. Sempre tive preferência pelo frio, não me perguntem por que, talvez, seja porque gosto mais de ficar em casa do que na rua. No calor, as pessoas saem mais de casa. Eu também saio, já estou pensando em que praia vou me deliciar no final de semana ou na casa de quem vou "aparecer repentinamente" para tomar umas cervejas.

Hoje de manhã, já acordei com calor. No dial, Curumin no aquecimento para o show (provavelmente você estará lendo este texto depois do show), um banho e ao sair de casa até o ponto: Calooooor. Para minha felicidade, hoje tenho (tive) ensaio, fato que provavelmente me fará (fez) perder algumas gramas devido ao suadouro causado pelas duas horas de ensaio.

Tá quente, muito quente... O que eu não faria por uma cervejinha. Limonada também seria uma ótima pedida.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Porque Narciso acha feio o que não é espelho...

Amor próprio. Muitas vezes procuramos por ele, algumas outras vezes, achamos tê-lo, mas em vários casos, senão na maioria, sempre esquecemos dele. E neste momento sempre pensamos: “se eu me amasse as coisas seriam diferentes”
Mas será que, você seria realmente capaz de amar uma outra pessoa, se amando? Os mais arrogantes torcerão o nariz, dizendo aquele pomposo “mas é claro que consigo”, reforçando ainda mais minha teoria de que não seriamos possível de expressar toda a intensidade do amor expressado em alguns momentos de nossas vidas, caso nos amassemos em gênero, numero e grau.

Recentemente estive com um amigo de longa data. Aqueles amigos que nunca tem tempo para nada, mas sempre tem tempo para você. Estávamos, entre um gole de coca-cola e outro, já que estava em fase de recuperação da febre sintomática, conversávamos sobre isso. Ele, sem amor próprio. Eu, na mesma situação. Conversando sobre as rasteiras que deixamos a vida nos dar por falta de amor próprio, questionamos sobre isso. Porque algumas pessoas “olham a piscina” antes de pular e, nós não olhamos ? Apenas pulamos e pronto.

Se necessitarmos nos amar, precisamos pensar mais em nós mesmos, adquirindo uma postura egocentrista quando as coisas referentes do coração. Algumas pessoas, pobres de espírito, confundem o amor próprio com a exarcebação da liberdade, mostrando assim a total falta de conhecimento de seu próprio ser, confundindo o egocentrismo necessário com a autodestruição por meio de sorrisos plásticos, instantanealismo e tudo mais que esta confusão mental pode lhe causar.

Aprenderíamos a amar nossa companhia. Mesmo que em um ar misantropo, adoraríamos estar só, e tomaríamos asco no que se imputa a uma necessidade de um outro ser, seja ele do sexo oposto, ou seja, ele de uma amizade constituída de forma menos duradoura possível. A vaidade que, em alguns é necessidade, seria necessidade para nós também. Cuidaremos muito mais de nós mesmos. Em meu caso, eu não ficaria sem lavar a cabeça por longos períodos de tempo, tal como fazer a barba, que sempre dá o tom de martírio nas segundas-feiras pela manhã. Nosso nível de egocentrismo chegaria ao extremo e nossa vaidade estaria no ápice de uma nova vida.

Poderíamos nós amar alguma pessoa que possuísse defeitos, opiniões distintas e opções culturais frívolas como todas as que nos rodeiam? Acho difícil, já que, se minha companhia, meus cabelos e minha pele são tão superiores do que ela, o que eu faria com uma pessoa dessa? Sexo? Instintos? Casualidade? Talvez...
Tornaríamos maquinas ao esquecer das imperfeições da vida. Portanto, você que diz que consegue amar outra pessoa se amando, prove-me, estou aqui disposto a observar e disposto a ver também, sua provável queda, visto a impossibilidade de “Narciso amar alguém que não seja o espelho”.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sobe Escada, Desce escada.

Quando falamos de escadas, sem metáforas, geralmente falamos com certo distanciamento já preferindo a expressão "onde fica o elevador" do que a localização da escada propriamente dita. Creio que como eu, você também não sabe onde ficam as escadas da maioria dos prédios que você visita.

Uma ex-namorada, que morava no 10º andar, uma vez, me fez subir os dez andares via escada já que ela estava naquela vibe da "geração saúde": Foi um dos maiores martírios de meu ano. Nunca chegava o décimo andar, e a cada lance senti que minha vida se acabava com mais rapidez que o usual. Dramas a parte, ao chegar, minha ex-sogra se assustou ao me olhar e me ver agonizando em frente porta e na melhor das intenções, me ofereceu um copo de agua.

Pois bem, tive que atender um cliente nessa semana que se situava no quarto andar de um edifício no centro da minha selva de estimação. Eu, molhado com o calor que fazia, com o mp3 ligado escutando uma de minhas 847 versões de Umbrella (não sei por que, mas viciei nessa musica), vi que a fila do elevador estava muito grande, então decidi, heroicamente, subir os benditos quatro lances de escada.

Na empolgação da música, os dois primeiros lances foram maravilhosos, agora os outros dois, me renderam dois copos bem cheios de água no bebedouro do recinto onde me alojei. Serviço executado, porém o pagamento seria realizado pessoalmente na tarde deste mesmo dia, conclusão: Teria que retornar lá, mais tarde, com mais sol, com menos empolgação e com menos condicionamento físico para subir aqueles quatro lances.

Na hora marcada, cheguei ao prédio e novamente a fila para os elevadores demoravam o que me fez subir os lances. Devagar, na calma, subir degrau por degrau. Cheguei uns cinco minutos atrasado e descobri que o responsável pelo pagamento havia descido elevador abaixo... Sem dinheiro, com calor e descansado. Desci as escadas na mesma velocidade que as subi, e chegando ao trabalho, uma bronca me mais de meia hora me aguardava... E você? Acha realmente que eu liguei?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Berra ahe rapá"

Desde o show na conceptione pub, venho em um hiato musical que durou sete meses. Nenhum envolvimento publico com a musica, principalmente a musica extrema que tento me faz feliz.

Minha saída da Choose a life, como todos sabem, não foi muito amigável, e com eles, foi-se embora um pouco da minha expectativa de alguma coisa boa dentro da música. O ATASCO foi iniciado a todo vapor, mas já apresenta algumas mudanças. Até porque, as musicas que entrarão no EP já possuem mais ou menos quatro anos, mesmo atuais, elas ainda possuem quatro anos. Já estou pensando na possibilidade de lançar o primeiro EP e já começar a fechar as composições para o segundo, já que os esboços estão bem adiantados.

Na ultima quinta feira, voltei a sentir aquela dor na garganta gostosa que não sentia há muito tempo. Juntando os restos de Choose a Life, Frente Imperial e Target, inicia-se mais uma banda no cenário underground de São Gonçalo. Quando cheguei a musica já estava rolando, apenas esperando a minha letra para que estivesse completa. Difícil falar sobre primeiro ensaio como uma coisa que foi boa, mas esse, mesmo com suas limitações e falta de entrosamento parcial, foi bom.

Na volta, aquela caminhada, que foi longa, mas produtiva. O pessoal conversando, se conhecendo, dando umas gargalhadas já para iniciar os contatos pessoais, já que sem eles uma banda não é nada. Algumas coisas bem bobas, e fatos bem manjados, mas que me fazia falta. Encaro a banda como um relacionamento amoroso, e espero que esse seja duradouro. Hoje tem mais, logo os shows.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Liberdades, aforismos e uns goles de chá...

Em meio às peças que a vida nos prega, encontro-me aqui no mesmo lugar. Da mesma forma em que comecei isso tudo, e com o mesmo furor que outrora me saltava os olhos. Não sabia que isso tudo existia antes dos dados rolarem, e agora que eles estão em jogo...Façam suas apostas. Noites sem sonos, caminhadas imóveis, livros velhos e uns goles de chá, assim indico o resto de minhas noites.

Acho engraçado o que as pessoas fazem com a liberdade que lhe são imputadas. Muita tem a liberdade como o momento dos excessos, o momento de ser tudo o que você não pode ser. Só que sempre esquecem da ressaca pós “tentativa de vencer a vida”. Outros com a vida mais comedida pecam pela prudência, pela calma e imparcialidade. Mas quem terá o “timing” necessário para lidar coma liberdade que nos é dada? Sinceramente, não sei.

O caos que percorre o mundo não nos atinge, temos nosso próprio mundo e com isso, somos reis de nossas vidas, os únicos capazes de gozar ou chorar de acordo com o que a situação nos compete. Sim, basta querer acreditar nisso...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Are you Ready ???

Com a ganância do ser humanos, o corporativismo e a nossa total falta de preparo para lidar com essas situações, travamos uma batalha, mesmo que pequena, todo dia contra nós mesmos. Em meu caso, tudo começa na parte da manhã, quando, ao olhar pela janela, tento sempre adivinhar a previsão do tempo. Em 90 % das vezes, sou surpreendido por uma abrupta mudança de tempo, me lembrando que devido ao aquecimento global (odeio este termo), o desregramento com a natureza e seu ecossistema, estamos sofrendo uma das maiores turbulências meteorológicas já vistas em nosso planeta. Quem, na semana passada, tomou aquele banho frio, refrescante, para colocar o corpo em um nível agradável, uma vez que o tempo estava de “rachar”. E quantos necessitaram de meias e edredons neste final de semana?

Ao pegar o ônibus mais uma guerra: A guerra dos R$0,10 centavos. Como conseguimos sobreviver a um reajuste de R$0,10 centavos, cedido apenas com o intuito de “acabar com a nossa raça”, já que temos sempre que separar aqueles benditos centavos ou então “desinteirar” do dinheiro da passagem da semana, dependendo muitas vezes de uma carona do patrão, ou até mesmo de alguma ajuda de custo recebida por fora, em meu caso, fruto de alguns bicos. Confesso não ter dedos suficientes para contar quantas vezes já esqueci esses benditos R$0,10 centavos, e quantas vezes fiquei com o bolso pesado de moedas que, por não ter a quantia, necessitei dar uma nota de maior valor para retirar esta praga que moeda.

Não preciso comentar que enfrentar seu patrão enfadonho, seus companheiros de trabalho que beiram ao albinismo mental é a guerra da paciência que lhe é travada nas 8 horas seguintes. Mas as vezes me falta esta virtude, sendo obrigado a me isolar e me fingir de triste só para não soltarem suas “pérolas”. Um dia desses, meu companheiro de trabalho, visionário como ele só, estava vendo algumas ações para “investir em longo prazo” e foi surpreendido por números e mais números no que se refere às taxas de juros. Logo escuto: -- Guilherme, porque as taxas de juros do banco “x” são maiores que as taxas de juros do banco “y”?

Bem, se soubesse essa pergunta, acha que eu estaria cortando papel, como estava fazendo no momento da pergunta? Meu patrão, posso falar que é o “piorzinho do bloco” no que se refere a perguntas idiotas:
- Guilherme, porque eu preciso de um aparelho de fax na empresa?

Seria para “receber fax?” Bem... Deixa pra lá. (rs)

Na universidade, luto contra o sono do dia corrente, contra as asneiras que sempre sou obrigado a escutar, sobre os embates religiosos, sobre a cerveja geladinha na padaria da frente... Enfim, à noite batalho mesmo. Sou cobrado e requisitado por tantas coisas, que fico questionando minha própria importância no que diz respeito a influencia acadêmica. Não me enxergam como um modelo a ser seguido, ao contrario: Chego atrasado quase todos os dias, induzo alguns professores a cantina para dividirmos um café ou uma coca-cola, e coloco na conta deles, ou então apareço na sala de aula feito um vulcão, fruto da cafeína em larga escala. Seria eu um exemplo “a não ser seguido?”.

Atualmente venho acordando com os olhos colados, forçando-os para abrir e sensíveis demais a qualquer exposição à luz e mais desfocado que a câmera do saudoso Renato Laranjeiras. Prontos ou não, amanhã começa uma nova batalha, uma nova guerra e porque não, uma nova oportunidade sermos melhores do que fomos hoje?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Professora, eu não entendi... pode explicar melhor ???

Desde os tempos de ensino médio sou alvo de perseguição de alguns professores. Antes, por conta de meu visual desleixado, semelhando a um mendigo, hoje, por causa de minha soberba e arrogância quanto a algumas questões. Fui ensinado a falar, a perguntar caso não tivesse certeza absoluta, fazendo a alegria dos alunos considerados espertos. Ao soltar o manjado “Professora, eu não entendi... pode explicar melhor”, os sorrisos de deboche se abriam, e as “mentes pensantes” de minha época ficavam ali, imaginado algum novo apelido para caçoar na hora do recreio.

Pois bem, cresci, e hoje em dia, quase não pergunto. Não que as experiências do passado tenham me causado algum trauma, mas sim pelo meu esforço de estar sempre equiparado com a matéria e com o raciocínio de meus orientadores. Não poderia deixar de lembrar daquele personagem típico, quase sempre presente nas salas de aula espalhadas pelo mundo: o Burro propriamente dito. Ele não é motivo de gozação, mas sim motivo de pena.

Muitas vezes fui tirado como o burro da sala, já que nunca perguntava, e por possuir trejeitos e cacoetes dentro de sala, passo a impressão sempre de não estar entendendo o conteúdo. Certa vez peguei uma conversa de umas companheiras de faculdade falando sobre mim: “não, mas o cabeludinho me dá pena; toda vez que alguém ministra algum conteúdo ele coça a cabeça, tira os óculos, faz cara de velório e volta a anotar algumas coisas que nem mesmo o professor solicita que anote” . Deplorável.

Os conceitos das pessoas sempre mudam depois das avaliações, já que entendem que minhas reações involuntárias apenas expressam que não estou cômodo no local, mas não que não estou entendo o conteúdo. Mas nesse momento já é tarde demais, pois ao saber das opiniões, esboçadas sempre em tom de “eu pensava assim agora não penso mais”, sempre me distancio mais e mais deste tipo de pessoas.

Lembro-me bem de uma professora que teve as mesmas reações que a maioria dos meus colegas atuais de classe. Lembro de chegar quase todo dia atrasado na aula, e fazer aquela cara de “dãããã”, realçadas pelos grossos aros de meus óculos, sendo motivo de chacota da própria professora. A partir deste momento, mudei minha postura quanto aquela aula: Levava meu Mp3 player, para gravar a aula, apertava o play e... Caía em um sono profundo, sendo acordado apenas as 22:10 pelo faxineiro. Claro que essa atitude causou a ira desta professora, e a minha aprovação sem a necessidade de apêndices a chocou mais ainda, sendo necessário fazer duas vezes a mesma prova, por suspeita de cola.

Onde quero chegar com isso?
Às vezes, tiramos conclusões sobre pessoas e seus atos, que de acordo com nossa própria verdade, não condiz com o que é proposto. Mas, esquecemos que as verdades são inexatas e mutáveis, podendo diferir de um ser para o outro. O que lhe trás asco, pode ser o prazer da pessoa que está ao seu lado no ônibus, ou o que lhe deixa em êxtase profundo é o motivo de inúmeros pesadelos para o jornaleiro que você compra seu periódico diário. Não me excluo deste grupo só porque escrevo este texto, mas sim reconheço minha inferioridade quanto ao julgamento e, até certo ponto, preconceito por parte de algumas pessoas de meu circulo social, e venho não me desculpar, mas sim, prometer avaliar com mais coerência o que está em minha volta, respeitando os devidos espaços e racionalizando mais nossas diferenças.

Porque não faz o mesmo???

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quando Fui Fred Astaire [Jay Vaquer]

Começou a faltar a gravidade naquele dia
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
Com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
"E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar"