segunda-feira, 27 de julho de 2009

Comentem

Em meio ao processo intenso de criação, segue abaixo um trecho do capítulo inicial de meu livro, a ser lançado, provavelmente, no segundo semestre de 2010... Agradeceria por comentarem, mas não comente, apenas leia baixinho, para que sintas o que senti. Perdoe-me pelos erros de concordância e ortografia, escrevi isso e mais quatro páginas na madrugada do ultimo sábado... Quase amanhecendo e ainda não tive tempo de corrigi-lo. Mais uma vez, espero que gostem.
(Guilherme Fernandes)


“Percebo uma lágrima. As saudades são verdadeiras, mesmo que eu ainda não tenha começado, mesmo que o meu cronometro regressivo para um novo anoitecer ainda não tenha sido zerado, ela aparece. De forma cortante, tão afiada quanto uma navalha, pronto para te ferir de forma desumana, desleal, infame. Água pura, levemente salgada, brota de meus olhos, como se eu nunca mais fosse conseguir me despedir da noite. Pelo menos não mais desta. O badalar do relógio central me avisa de que tenho que despertar de meu sono, abandonando os meus sonhos, ou postergando-os, na esperança de que a noite seguinte seja bondosa comigo e me traga as minhas aspirações, as minhas utopias, as minhas histórias perfeitas, de volta ao cenário que, contra minha própria vontade, preciso abandonar neste momento. Tento guardá-los em vão, já que sei que a correria do que me espera ao abrir os olhos me fará esquecer-se de tudo o que foi idealizado, programado e concluído na noite passada. Porcaria de noite passada! Ao menos poderia ter me avisado de que estava partindo, assim, de alguma forma, tentaria me preparar para a perder você. Mas quem sou eu para exigir isso de uma simples noite? Nem mesmo eu consegui te avisar que eu estava partindo... Apenas me viste dobrando a esquina. Escutei soluços naquele momento, porém, não sabia os identificar. Não distinguia os seus dos meus...”

sábado, 25 de julho de 2009

Se podes ver, repara

Desde Junho do ano passado finjo me preocupar de que precisava rever o grau de meus óculos. Sempre tinha algo mais importante, como dormir até mais tarde, ver um filme repetido na sessão da tarde ou escutar as mesmas músicas que escutaria se me dispusesse a ir ao oculista. Só que depois de um tempo os meus próximos pararam de me perguntar quando seria a minha revisão de grau. Ou em algumas vezes eu mesmo me “chibatava” para poupar as lições de moral que sempre recebo. “Nossa, preciso conseguir um tempo para fazer essa revisão, já passou da hora”. Mas nunca tinha tempo, mesmo que o dia se mostrasse com mais horas que o normal.

Sábado passado, eu poderia ter saído do dentista e parado no primeiro oftalmologista de plantão e fazer um exame... Coisa rápida, não duraria menos de meia hora. Mas eu tinha um compromisso importante: Estaria reencontrando um casal de amigos que são muito importantes para mim. Até então, sem problemas. Sem problemas se eu não tivesse saído do dentista as 10h00min e nosso encontro tivesse sido marcado para as 13h00min! Pois bem, sem problemas quanto a tudo: A cerveja estava bem gelada, a sardinha maravilhosa, e as conversas cada vez mais afiadas. Ensaios de brigas foram feitos, coisas que sempre acontecem quando se senta a mesa dois casais de amigos com total acesso as suas opiniões e pontos de vista. Mas até então sem problemas.

Aquela “esticadela” básica até outro bar... Mais cerveja, frango frito, e uma goleada monumental do Goiás em meu Fluminense. Mais ensaios de brigas, mais conversas, mais sorrisos. A despedida, o abraço e a promessa de estarmos juntos mais breve do que o último intervalo, de quase seis meses. Ao chegar em casa, retiro o livro do Maquiavel que tinha acabado de ler, e mais dois livros adquiridos no tempo em que deveria estar no oftalmologista fazendo a revisão de grau de meus óculos, atrasados há mais de um ano. Fome, sono, tentativa de ver um filme, cama.

Domingo: Almoço com a mamãe! Nos preparativos, pego na estante o “livrinho da moda” do Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” para reler, já que havia lido bem antes da obra chegar ao cinema e ser indevidamente incompreendido por grande parte do publico, fenômeno esse totalmente explicado pela preguiça dos espectadores em pensar um pouco mais além sobre o filme, ou de se dar o trabalho de ler, que seja, um breve resumo sobre o que esperariam no filme. Mesmo assim, como estou em mente com um projeto de apresentar em algum lugar alguma coisa sobre a subversão da realidade por este grande escritor português, decidi reler o romance para afixar melhor algumas coisas que poderei, em breve, precisar.

Em algum momento meus óculos, vencidos e arranhados, caíram de minha face... Não me preocupei em encontrá-los, já que o que estava fazendo era bem mais importante. Só que o meu pé esquerdo o encontrou, e lhe “beijou” de forma tão suave, que nem mesmo as tentativas da minha sempre bondosa namorada-quase noiva-futura esposa em colá-lo, foram de grande êxito. Conclusão: em menos de uma semana a revisão de grau, a troca de armação e o mais importante, o tempo, foram encontrados para que eu pudesse ajeitar mais uma coisa que, por simples preguiça e desleixo deste que vos escreve, ainda não foi feita.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sacudindo a poeira

Chegou a hora de tirar um pouco da poeira deste blog... Quanto tempo que não escrevo nada, acho que desde a morte do Michael. Digo escrever de postar, mas a produção continua fluindo e fluindo...
Então, acho que necessito me explicar com os poucos que passam por aqui:

Tudo começou com as minhas férias, em que fiquei fora da internet, já que acessava a rede de forma diária por lá... Logo após a minha troca de emprego e a adaptação a ele. No meio dos acontecimentos, necessitei me concentrar em algumas leituras que geraram a minha apresentação na semana de letras da minha ex-faculdade. Apresentação essa em tom de despedida já que no próximo semestre estarei na faculdade publica. A transição da Aurorah para o Atasco também foi interessante: Revirando algumas melodias, me adequando a uma tecnologia para as pré produções, criação de loops para as velhas canções, enfim, o que deveria ser feito por umas seis pessoas foi feito por mim... Mas esgotei, não vejo à hora de gravar as canções e os poemas que farão parte do meu primeiro registro solo como cantor, o EP – Escolha A Sua Máscara... Sim, eu em algum lugar desse blog anunciei que o EP se chamaria “Um pouco menos que você...” Só que as coisas mudam, e com isso, as homenagens e ofensas mudam o foco... Mas teremos, creio que em um mês e meio, seis ou sete faixas da mais pura musica sem rótulos... Terá tudo que as musicas com rótulos possuem, mas será diferente, pelo menos penso seu... Sem muitos experimentalismos, só musicas com algumas guitarras e algumas letras sobre algumas coisas...

Tenho estado bem concentrado em algumas leituras de nomes como Saramago, Clarice, Maquiavel, Pauls, Todorov e afins para a produção de meu primeiro registro literário. Falando nisso, lembro-me todos os dias que necessito começar a anotar meus esboços, para que as idéias, mesmo em fase de formação, não fujam no momento em que estarei na frente de um PC ou de algumas folhas para dar vida ao meu primeiro livrinho. Basicamente, será a história na vida de uma pessoa que passa todos os seus dias pensando. Mas ainda estou com alguns questionamentos: não sei se relatarei apenas um dia, ou alguns dias, ainda não sei se o personagem morre no final, ou se ele se casa, ou então se ele se muda para o Nepal com o grupo de missionários que ele conhece pelo caminho (!)... Mas creio que isso só será decido quando o processo propriamente dito começar.

Assim, fico feliz em dizer que não me lembro a ultima vez que verifiquei a minha caixa de email. Viver sem os compromissos virtuais é maravilhoso! Sem precisar responder emails com rapidez, sem necessitar atualizar fotos para ostentar sua pseudo beleza, ou então sem atualizar os milhares de “abouts” sobre você, que mostram que você é somente mais um superfulo tentando se mostrar inteligente, ou seja lá o que for. As pressões quanto as outras coisas também... sem as ofensas consumistas e os problemas virtuais gerados por quem não vive mais sem, posso dizer que sou um novo homem, quase que um homem sem vícios... E sem orkuts, msns, facebooks e afins... Acreditam que eu sequer sei o funcionalismo do tal do Como é bom ser um alienígena nas conversas sobre as atualidades...

Falando sobre atualidades, quanta coisa acontecendo... As mortes, assaltos, misérias cotidianas também, mas tenho todo dia a impressão de que tudo está passando rapidamente. Sim, aquela baboseira de “um dia a mais é um dia a menos”.

Então é isso: Aguardem o meu disco, aguardem o meu livro, aguardem os próximos posts... Ou não.

terça-feira, 30 de junho de 2009

To Michael

Complicado não parecer piegas em escrever sobre Michael Jackson no momento em que se apresenta, porém não tenho como negar à gigantesca influencia que sua música teve em minha vida. Costumo dizer para os outros (salvo em minha época de obtusidade metaleira) que se hoje eu, com quase vinte e quatro anos, tenho que agradecer á alguém por conta de meu interesse no mundo da música, posso conceder meus sinceros agradecimentos a três pessoas: Freddy Mercury (Queen), Jonathan Davis (Korn) e Michael Jackson.

Não estou aqui para falar que ele ultrapassou gerações com sua música e todos os outros blá blás que temos nos acostumado a escutar nesta semana. Gostaria de compartilhar a minha estupefação por Michael. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que vi o Clip de “Remember in Time” na televisão. Foi em um domingo e o álbum Dangerous estava em alta. Meus pais, depois de muita insistência no dia em que saiamos para fazer as compras do mês, me presentearam com o álbum, ainda em vinil.

Ontem, após concluir alguns loops de bateria para o projeto Atasco, me livrando da ressaca da banda Aurorah, comecei a preparar o tracklist para mais uma semana, como costumo fazer todos os domingos. Decidi separar algumas músicas do Michael, até mesmo como forma hipócrita de um luto besta, mas verdadeiro, ao rei do pop. Sabe, deu saudade, pena, misantropia ao escutar a mesma canção que há alguns anos fiquei embasbacado vendo o vídeo clip na “revista inteligente semanal” que todos tem como uma religião.

Saber que Michael foi só mais um a sofrer na sociedade das aparências coloca abaixo todas as minhas teorias de que a felicidade não está na imagem. Acabamos por nos preocupar com isso, comprando roupas e exagerando nas maquiagens, para os desprovidos financeiros, e com plásticas, botox, lipos e afins, para os que são possibilitados para agir de tal forma. Acorrentados estamos, já dizia Felipe Cheheuan, do Confronto e com certeza estaremos. Até quando, não sei... Por hoje apenas uma lágrima, um play no mp3 e vamos seguindo a vida, até a próxima catástrofe.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Soneto da Condescendência

Hoje vejo que o melhor já não te basta
Mas será que alguma vez bastou?
Em cada passo, posso ver o não passar
E recolher o meu melhor que se quebrou

Que as palavras que eu escrevo possam ter
Um destino, mesmo sempre que o amor
O horizonte desfocado não poder
Meus demônios não me deixam acreditar

Se minha linhas te machucam por saber
O que passa em minha mente e coração
Espero que meu amor ainda possa te rever

Não podia esperar o que passou
E em meus tortos pensamentos
Penso se o meu melhor que não bastou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Falência Moral

“Chorava o leite derramado;
Tudo que havia conquistado;
Bens Patrimoniais, relações profissionais;
e agora nem sabia muito bem pra que” *


Viver no passado projetando o futuro, essa é a lei para alguns. Resmungam e choram por um passado que, no momento em que vivia, não se dava a rela importância. Hoje, derrotado, fracassado e falido, tenta ver nele, a sua única forma de sobrevivência no futuro. As balinhas de ecstasy de um perdido, é assim que chamo essa total volta ao passado, seja para se sentir importante em um momento de efemeridade pessoal, seja para apenas matar as saudades.

Como podem observar, minha relação com o passado não é muito amigável. Por motivos óbvios, reitero as palavras de nosso saudoso José de Alencar que no seu romance “Luciola” afirma que “lembrar é viver novamente”. Para que eu deveria reviver uma coisa que já passou. Prefiro guardar minhas memórias dentro de minha memória e ir apagando-as de forma homeopática, a medida que novos “passados” se façam em minha vida. Mas agora se utilizar de conquistas póstumas para tentar forjar um futuro irreal, penso eu, que beira ao absurdo.

Não falo de quem começa no fim porque começar no fim é sempre válido, mas coloco minhas palavras em oposição aos que querem fazer do futuro uma espécie de uma “parte 2” de seu próprio passado.

No limite do fracasso humano, vejo pessoas que, já viram, viveram e não venceram. Se encontram perdidas, ou melhor, para manter a pose de um conteúdo falso, ainda não “encontrou nada que seja bastante o suficiente” para o seu respeitoso passado. Conheceram as pessoas mais influentes, possuem as histórias mais engraçadas e realizam as experiências mais importantes da rodinha dos fracassados: Namoros financeiros, belos restaurantes, viagens para o exterior, enfim, tudo o que todo ser humano sonha e, de certa forma, almeja. Cá com meus botões penso: Se conheceram as pessoas mais influentes, por és hoje um fracasso ? Porque as histórias “ultra engraçadas” não me fazem dar um sorriso espontâneo ? E será que já ter feito “isso ou aquilo” a mais do que os outros é o sinônimo de ser alguém bem sucedido ?

Todos nós temos um tempo. Falam isso dos pré-socráticos aos escritos bíblicos de Eclesiastes. E quando nosso tempo acaba, creio eu que já devemos de estar satisfeitos por temos tido as oportunidades que nos foram cedidas pela vida. Os trabalhos, as estudos, os amores, os sorrisos... chega uma hora que tudo isso acaba, e, se lhe sobra algo a mais do que o tal “vazio da idade” porque mudar esse quadro ? Porque se aventurar em uma vida que não lhe pertence mais, a ponto de se prestar a algumas situações ridículas e assim tentar sobreviver em um mundo que a rapidez não é mais a arma, e sim o quesito básico para esse mundo milhões de informações que a todo se atualiza, tão rápido quanto a um F5. Não temos controle de nosso tempo, com isso, nunca conseguiremos controlar o nosso futuro. “De verdadeiro nem os dentes da frente...”*

* Jay Vaquer – Breve Conto de um Velho Babão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ciclos Termináveis

Será que o tudo que vivo é realmente só isso ? Questionei sobre a vida ontem. Os motivos, não necessito expor, mas preciso esvaziar algumas poucas frases sobre o assunto. Nosso poder de escolha é ilimitado, podemos ser, não ser, fazer, não fazer, enfim, podemos escolher tudo e qualquer coisa. Vivemos escolhendo, decidindo, delegando funções a nós mesmos e nunca estamos satisfeitos com nossas próprias decisões. Mas no fundo destas questões me pergunto: O que nos sobra no final ? Será que viver uma vida de escolhas nos deixa alguma coisa, que não seja aquelas respostas pré prontas auto afirmativas que passam a mão em nossa cabeça e, para um bom entendedor, mostra que realmente o nada seria a resposta mais adequada ? Ou será que pelo fato de não poder escolher nunca se sobrará nada, já que quem não tem nada, nunca precisará de mais nada ? Acabo por argumentar em algo que nunca terei a alçada suficiente para fornecer certezas.

Certa vez, em minhas andanças pela cidade cinza, conversei com um mendigo. No frio de uma madrugada em que a melhor companhia seria nada mais do que uma boa dose de um conhaque vagabundo, eis que ele se senta. Me pede um cigarro. Digo que não fumo. Ele me agradece por não fumar, diz que provavelmente eu vivo melhor por isso. Logo, ao longo da conversa (não, não era um monólogo, como faço hoje) ele me diz: “Sabe, meu filho, do tudo o que você tem é o nada que você fica”. Ao escutar aquilo, comecei a pensar sobre o que sobra nos caminhos que escolhemos. Hoje, chego a conclusão de que o que nos sobra é quase nada. Ou será que depende da forma como olhamos, daquele papo de pontos-de-vista ? Desacredito um pouco sobre isso. Penso que da forma que nos vemos o que sobra é um pouco mais que o pouco que nos resta habitualmente. De que adianta o saber que adquirimos na estrada se não teremos interlocutores suficientes no mundo para utiliza-lo ? Ou de que adianta o carisma, a audácia e outros atributos benevolentes se não teremos uma chance, ou mesmo não a daremos para nós mesmos, de expor todas estas maravilhas de bondade ínfima e frívola, que até o próximo “calo” será muito bem utilizada. Depois ...

Talvez eu rotule demais a vida e não a viva de forma correta e leve. Mas se eu não a rotulasse, será que alguém pensaria as coisas que eu penso ? Ou será que estaríamos fadados a viver uma vida fria e sem a quantidade de informação de uma que nos engole todos os dias. Acabamos por viver um ciclo terminável, em que em algum momento, acabará as buscas pelo conhecimento, pelo bom caráter e pelas aventuras por conta das escolhas que fazemos pelos dias que nos passam. E o que lhe sobrará ? Pelo menos gostaria que eu, com estas palavras, ficasse no imaginário de todos o que rodeiam. Pensando sobre isso, acabo por perder a inspiração para escrever mais. A televisão está alta. O frio está batendo e eu preciso fechar a janela. Posso fechar as janelas, mas será que esse frio do futuro me deixaria em paz. Creio que não. Do tudo o que você tem é o nada que você fica... Pense.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Eu falso da minha vida o que eu quiser - Paulinho Moska

Sabe o que eu falso da minha vida?
Eu falso da minha vida o que eu quiser.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A estrela de um céu em chamas...

“Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer. Na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é um instante de glória de cada um, e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes”

Macabéa, grávida do futuro, ao atravessar a rua é atropelada por um Mercedes amarelo. Logo agora sua vida teria grandes possibilidades de melhora. Logo agora.

-Quanto ao futuro. Profere a nordestina, agonizando.

Pergunta ou afirmação ? Nunca saberemos o que ela quis dizer, ou, o que foi real para aqueles poucos momentos em que o mundo começava a enxerga-la. Estava começando a garoar. Macabéa, apática, datilógrafa e fã de coca-cola vivia (ou não) o filme de sua vida. O pobre filme de sua existência. Parecia uma daquelas artistas iniciantes, que ganhavam pouco para quase não ter falas em cena. Apenas aparecia ali porque necessitava preencher algum espaço. E agora, sangrando, tinha a atenção dos transeuntes que por ali passavam vivendo também como coadjuvantes de suas vidas.

Com apenas dezenove anos, Macabéa, já não se acordava de seus pais. Estava ali como uma figurante que aguarda de forma inquieta e introvertida a sua vez. E essa vez que nunca chega...
Suas poucas palavras de pouco adiantavam para sobreviver. De forma condicionada e quase que hipnótica se via entupida de uma cultura efêmera, que guardava em seus poucos pensamentos para que um dia, se precisasse, poderia utilizar. Adorava a rádio relógio. Ela também não tinha o hábito de vomitar, já que não gostaria de desperdiçar, mesmo desperdiçando assim, a sua vida na inércia.

Para que não se façam de desentendidos lhes falo: A inércia é diferente da solidão. Uma o esvazia, a outra, lhe preenche. A solidão te dá vida, como um cigarro. A inércia te mata. “Que os mortos me ajudem a suportar o quase insuportável já que de nada me valem os vivos”. Complicado demais falar dessa nordestina. Nada para falar de quem não fala. “Talvez a nordestina já tivesse chegado a conclusão de que a vida incomoda bastante”.

-Falar de que ?
-Você não é gente ? Gente fala de Gente ?
-Desculpe, mas acho que não sou muito gente.

A virgem dos ombros para frente, a cerzidora de formigas, que nunca tinha ido ao médico e sequer sabia o que era um remédio, comprava as vezes uma rosa. Seja para aliviar um pouco de sua pseudo vida ou para amenizar a tensão de sua própria história. E agora, caída no chão em posição fetal, pensava em seu vinculo com a vida: Sua tia, Sr. Raimundo, Glória e Olímpico. Não pensava em sua própria vida, já que não sabia se tinha uma. Decidiu apenas esperar o que o homem magro de paletó puído terminasse de tocar a sua canção em seu violino desafinado. Desafinado como Macabéa.

“Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”

terça-feira, 2 de junho de 2009

Considerações sobre...

Entre os dias que não passam e os momentos que nunca esqueceremos, trocamos abruptamente nossas vestimentas e percebemos que nossa essência continua intacta. Pode parecer besteira, mas é a mais pura realidade. Não mudamos nossa essência. Nada difere o rapaz de roupas bem passadas e de barba feita do “Pavão” de uma semana atrás. Acordar mais cedo que no necessário, porém, poder escutar mais música durante o percurso. Sempre existem vantagens. Sem barba, mas com as oportunidades em um local alcançável. Trinta anos mais jovem por conta da barba, e com isso, o retorno do animo para viver.

Vivemos de forma tranqüila, quase que apática se pararmos para refletir em nossa estrutura. Só que, de repente, modificamos de forma rápida nossos movimentos e mudamos nosso norte para que possamos sorrir mais. Mesmo sem saber, tentamos. Aquela velha história do “se parar e pensar, não faz” , por isso, não, eu não penso. O cansaço físico só me fortalece e me dá gana para lutar ainda mais. Só o que me incomoda é a possibilidade de um teste de resistência ao caos que, com certeza, acontecerá. Me inflama também ter que, de forma definitiva, estragar o jantar de outrem. Para mim, nada de mais. Para ele, o possível fim. Se vocês estivessem aqui do meu lado, enquanto escrevia este texto, veriam a minha cara de “preocupação”.

Lendo “A hora da estrela”, e até sexta feira teremos uma poesia em prosa sobre Macabéa e companhia LTDA, para ser lida na próxima aula de Literatura. Alias, os números atuais vem me distanciando desse meu momento de me esvaziar por meio de meus textos, mas creio que será um afastamento provisório, assim como me identificam os meios eletrônicos. Espero que esse título se desvencilhe logo de minha vida, principalmente na Literatura. Preciso estar cheio de pensamentos críticos para me esvaziar, e assim devotar o meu pensar. Isso tudo só perde para o meu Amor.

Falando nisso, estamos firmes, prosseguindo em passos, ora largos, ora pequeninos, não deixando a chama real se apagar. Chama essa de possibilidades inesgotáveis. Mais acesas que nunca. Sabe que está batendo uma saudade de minhas férias...

Não me recordo de ter tirado férias. Já fiquei no ócio, que é completamente diferente, mas não de férias. Não viajei, não fiz passeios românticos ou muito culturais. Fui ao cinema, ao teatro, ao cafe a padaria, enfim, coisas que faço normalmente, estando ou não vacante. Pensando melhor, adorei ter mutilado os últimos dias de minhas férias, e com isso, ter mudado de ares. Tão poluído quando, ou mais até, já que os carros não param. Reclamar ? de que ? Escutando música, sorrindo com a patroa e comendo menos besteiras. Nunca. Até porque estou com fome: Fome de expectativas.

Não fumaria um cigarro, mas aceitaria se alguém estivesse afim de me pagar uma bebida, só mesmo para relaxar. Ou não. acho que consigo relaxar sem a bebida. Eu já sabia disso, só acho que não acreditava nisso há uns sete meses. Por enquanto é isso: Macabéa, Provisório, Mais Música, Chamas e Sorrisos e Ar Poluído. E lá vai aquele rapaz de roupas alinhas mais uma vez. Sentiremos falta das bermudas e dos All-Stars. Talvez no sábado. Ou Talvez uns chinelos. Maldita correção o Open Office.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Restante

Textos, palavras e versos. Quando nada mais lhe sobra em vazios e pensares, o que consigo ver? Ao som de uma luz incandescente e algumas vozes por ouvirem meu clamor mudo, observo. Tento entender o que posso passar em algumas simples palavras, de forma econômica, que não canse ninguém, e que todos possam ler, em qualquer momento de sua vida. De mostro ao príncipe, de bela à Fera. Me iludo com o brilho de algo que foi cromatizado, revestindo meus sonhos e princípios até o fim. Cada vez mais complexo, cada vez mais metáforas.

Meu pensamento não consegue mais decodificar ele mesmo. Dou gargalhadas de mim mesmo. Zombo de minha capacidade de subverter alguns princípios em forma de poesias e de manipular meu passado e meu presente por um conjunto de palavras que, em alguns casos, não fazem sentido nenhum para mim. Estremeço com certas coisas.

Jogo-me de tal abismo que nem mesmo reconheço como cheguei até aqui. Na queda, vozes berrantes me mostram que deveria ter seguido o outro lado da estrada, e que meu orgulho não me deixou pensar na melhor maneira de sair deste campo minado em que só os surdos e cegos podem escapar. Procuro luz.

Descubro que quem tem voz não tem nada, e por isso, tento cair de forma mais branda, mais fria e mais detalhada. Como laranjas podres, meus pensamentos são jogados fora de uma grande lixeira chamada censura. Decidi falar comigo, e não cheguei a conclusão alguma. Já não consigo mais sentir meu corpo. Uma arma me é jogada. Quem sabe para acabar com o jogo de uma vez por todas. Acabar com as Metáforas?

Aponto então para onde não poderia mais sentir. Acerto meu coração. Lentamente sou contrariado por todos os preceitos; até que não consigo sequer me assassinar e acabar com o martírio, a queda. O que me resta agora?

Só me resta... acordar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Alforria

Hoje decidi me jogar nos ares de uma nova forma de pensar. Decidi rasgar os livros e escrever minha própria linha de raciocínio. Sem focos, sem mestres, apenas eu e quem mais quiser me seguir. Hoje destilo minha maneira áspera e doce de pensar. Como Horácio. Mas não tão igual. Nada é o que decidimos que seja, mas com isso, aprendemos a viver de forma mais e mais eufórica com as novidades já pré-estabelecidas em nossas pobres realidades.

Chuva. Hora de ficar debaixo do cobertor com quem se ama, e quem sabe tomar um chocolate quente, sendo invejado por milhões e milhões de seres sós, criteriosos e preconceituosos com seus próprios futuros. Aceito o meu e vou seguindo em frente, agora mais que sempre. Amanhã mais que hoje, é assim que seguimos, e é assim que aprendemos a não se machucar tanto nas quedas. Ou pelo menos aprendemos que todas subidas dependem das quedas. Nunca poderemos chegar no “alto” se não estivermos no “baixo”. Nas luzes de um telefone celular, esquecemos que as lampadas não estão funcionando. Nem aquelas das idéias.

Mais uma noite, que mesmo sendo igual a ontem, não existe a monotonia. Não conheço essa palavra, seja deitado, sonhando ou apenas acordado. Nossos dias nunca são iguais, então porque reclamamos de igualdade dos dias. O grande problema é que pensamos iguais em todos os momentos, com isso, culpamos o coitado do dia. Ele realmente não pode fazer nada, nem mesmo se defender. Culpo a mim mesmo pela monotonia, mesmo quando não a tenho comigo. Vivo sempre diferente em dias diferentes, mesmo que na essência, todos se pareçam uns com os outros. Não reclamo da vida, só me liberto e alguns pensamentos que não quero mais, em forma de textos, palavras ou até mesmo pelo silêncio. Silêncio que te cega. Contraditório ?

A partir de sempre decidi não me render aos românticos defeitos de todos os dias. Tento sempre fazer diferente, mesmo sabendo que de igual, só os gêmeos. Nem tão iguais assim. Mas iguais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da criação de um monstro social

Confusão tem sido meu sobrenome durante uma boa parte de minha vida. Creio que, tentando ser mais exato, lá por volta dos meus 18 anos as confusões começaram a aumentar: Alcoolismo, fobias, introversões extrovertidas e afins caracterizaram um pouco do furacão que a maioria das pessoas me consideravam quando passavam. Tudo melhorou quando consegui um de meus primeiros trabalhos “de verdade”. Falo isso porque todos os trabalhos posteriores (Fast-foods, biscates e afins) não me colocaram no eixo da forma que o meu primeiro rabisco na carteira me colocou.

Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de janeiro, que beleza ! Lá estava eu, um funcionário do sistema escravista que aceitei viver sem escolhas. Com um horário flexível, trabalhava em uma central telefônica, hoje em dia vulgarmente chamada de call-centers, aprendia com vigor tudo o que me era proposto. Devoravas as regras de serviço, descobria os caminhos mais fáceis para resolver o que os clientes solicitavam. Mesmo que esse “resolver” fosse um simples “ligue mais tarde”.

Me revesti em uma armadura de hipocrisia e assim, subindo alguns poucos degraus dentro da empresa, fui me enganando dia após dia de que a minha excelência na função não passava de um “ligue mais tarde, que resolveremos seu problema.” Sempre me questionei sobre o dia em que isso voltaria para mim, já que acredito nessa besteira de que a vida é um grande espiral de atos, que se intercalam de acordo com nossas decisões. Algo como a parábola do semeador, só que um pouco mais evoluída e inteligente.

Pois bem, fruto de um erro da companhia, necessitei intervir com meu “amplo” conhecimento no produto, sendo o responsável direto para resolver esse problema. Sabia exatamente o que necessitava fazer, só que não poderia fazer, aqui do lado de fora, lidando com programados que só sabem dizer “ligue mais tarde, resolveremos seu problema”. Com quase duas semanas de ininterruptas ligações, o problema foi resolvido, porém tive que devorar os programados, e grudar como um carrapicho em um matagal nos supervisores. Tres ao todo. O primeiro creio que ficou com medo, tentando me dispensar logo na tática do “sim senhor”, concordando comigo como se eu fosse o ser mais certo naquele momento. O segundo nem me recordo, acho que porque não me fez muita diferença. Mas o terceiro, fruto de meus intermináveis desdobramentos, ora grosseiros, ora autoritários, puxando pelo pessoal e de forma mais atrevida do que qualquer um teria feito comigo no tempo em que permaneci na função de programado.

Com o problema resolvido, pensei melhor. Constatei de que havia me tornado um monstro, sem defeitos, com total conhecimento do que estava falando, sem o aceite de argumentos de nenhuma espécie. Um total Ogro, proveniente das terras de “Far, Far Away...”. Alguém que não merece o respeito que adquiriu a ferro e fogo dentro de um campo minado, necessitando quase que surfar em ondas de hipocrisia para obter o que lhe era possível até o seu limite naquele momento. Sinceramente, não mereço sequer estas linhas que escrevo sobre mim mesmo...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Não, eu não penso...

Penso muito.

Me perco em divagações e análises de minha própria vida quase que diariamente. Em poucas linhas tento me fazer um pouco menos só que em minha multidão de silêncios que me sufoca e não me deixa reagir, como se eu fosse apenas um simples instrumento que vive, e não um simples poeta urbano que retrata da forma mais clara possível alguns pensamentos em estado bruto.

Em troca de algumas palavras sinceras, me ponho a falar. Falo mais que o necessário e menos que deveria. Aquele ditado do “quem fala pouco, pouco erra” fica cada vez mais evidente em palavras que rasgam meu coração, mesmo que o excesso de segurança predomine nelas. Tenho aprendido a não falar tanto, uma vez que minhas palavras não são, em alguns casos, o balsamo que curará de todos os momentos em que não estive perto.

Mas e quando falam para mim ? Ainda não consigo entender o porque de tanto medo, de tanta apreensão, já que cada vez mais se é montada uma fortaleza impenetrável. E mesmo que não seja necessário estar em uma campo de batalha, estamos preparados para ela. Então porque do medo ? Tento entender, tento reverter esse medo em amor, essa insegurança em paixão desenfreada e as duvidas em planos infalíveis para o futuro.

Meu presente, minha retribuição... nada mais que alguns singelos olhares, muitos sorrisos e poucas duvidas, que me deixam relaxados de com a sensação de “missão cumprida”. Mas ainda não é o bastante. E creio que nunca será.

Não, eu não penso...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Limões doces... vidas amargas

Já sabia do que se tratava o filme “Lemon Tree” quando entrei na sala de cinema, com isso, minhas expectativas em relação ao longa já eram muito boas. Lemon Tree aborda a história de uma viúva que se dedicava ao cultivo de limões. Limões esses plantados pelo seu falecido pai. A vida da personagem começa a se transformar no momento em que o ministro de segurança se muda para uma residência em frente de seus limoeiros. Com a iminência de que as árvores seriam esconderijos perfeitos para os terroristas, a disputa entre a viúva e o ministro toma proporções mundiais gerando, para a protagonista, empatia de um jovem advogado e da esposa do ministro, além dos muitos oprimidos pelo sistema politico arbitrário atual, coisa muito comum para os padrões “fracos vencendo fortes”, que vemos no cinema atual.

Assim que comecei a assistir o filme percebi que essa temática não era o que realmente prendia minha atenção. Percebi que a disputa entre os personagens se colocava como um mero fundo para questões muito maiores. A longa briga entre Israel e Palestina foi apenas o arranque, porém alguns pensamentos provenientes de algumas questões do filme me deixaram seqüelas muito maiores assim que sai da sala de projeção: Até quando é válido seguirmos nossos idealismos, mesmo que esses sejam o inicio de reações irreversíveis ?

Nos afogamos em certezas bobas que acabam nos cegando em momentos que deveríamos ter calma e frieza para enxergarmos o que não podemos ver de forma clara. Independente da “moda da liberdade” que nos é jogada atualmente, onde podemos fazer “tudo” e nada será empecilho para nossas escolhas, acreditamos que a certeza está sempre do lado da maioria. E não pensem que sou um libertário qualquer, porque sou um humilde radical sem muitas possibilidades de adesão a essa nova pseudo-moda de liberdade em que vivemos.

Porque é tão difícil abandonar algumas idéias ao longo de nosso percurso ? Sofro com isso também, sempre naquele mesmo pensamento: “Se seguisse em frente, poderia ter conseguido”. Mas será que realmente conseguiríamos ? Ou seria eu apenas mais um radical que não abandona o que pensa, levando seus ideais até as ultimas conseqüências, gerando uma reação em cadeia sem precedentes, machucando pessoas que vão de encontro às minhas ideologias. E como se não bastasse, sempre ensaiaria meu belo e eloqüente discurso, seja ele de vitória ou de derrota. Parece que temos medo de não nos firmarmos como algo, caso nossas filosofias sejam esquecidas por nós mesmos.

Acabamos por esquecer que somos agentes de mudança, mas que o radicalismo e a moderação andam juntos em todos os âmbitos e mesmo que um sempre prevaleça (como é o caso da moderação), não podemos assim nos ater ao outro só para desenhar um quadro falso de liberdade ou rebeldia. Liberdade vigiada ? Quem sabe dessa forma possamos viver melhor, com mais respeito uns com os outros, sem muitas agressões mentais, sociais e espirituais, preconceitos e afins.

Assim como a protagonista do longa citado, creio que eu também lutaria para preservar a herança deixada pelo meu pai, assim como lutaria se os limoeiros fossem apenas uma pequena fonte de subsistência, que completasse ou não a minha renda mensal. Mas será que tomaria partido às autoridades que me retaliaram ? Creio que sim, e creio também que lutaria até as últimas instâncias para que tudo fosse resolvido e a memória de quem eu cuidei com tanto carinho fosse preservada. Quem sabe até não teria abertura para amizades, seja com o ministro, seja com a sua esposa. Mas como, no filme, o advogado encerra: “Apenas na América os filmes têm finais felizes”, esqueço todas essas especulações e me coloco mais uma vez engavetando alguns pensamentos

Limões doces, vidas amargas. Vivemos nesse paradoxo do que é realmente a felicidade, ou se precisamos chegar até um determinado ponto para que possamos assim ter a nossa catarse social. Enquanto decidem, paro e penso, e com mais açúcar em meu café, volto a me lembrar daqueles limoeiros. Assistam Lemon Tree.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

No limite das posturas

Até onde podemos extrapolar os limites de duas vertentes da consciência humana ? Podemos escolher qual “lado” defender, ou até mesmo qual lado ofender, mas uma coisa é quase que uma certeza: Vivemos por próprios limites, independente de qual opção se julgue mais favorável em seus dias. Até onde você deseja levar a sua vida normal, sem radicalismos, sem grandes emoções ? Ter uma vida calma, um bom marido, filhos, faculdades e todos os outros preceitos de uma vida sem a menor vontade de criar algo novo. Mas em que ponto a “monotonia dos dias iguais” te fará engolir que esses preceitos que defende são os verdadeiros preceitos para o encontro da felicidade que todos procuram ? Inclusive você.

E os radicais ? Sempre donos de um pensar livre, sem regras, vivem como se o mundo fosse um grande baile de carnaval, contestando tudo e todos e assim escrevendo a sua história em dias tortos e cansativos. Não deseja uma nova família, a procriação se torna algo cada vez mais distante ou acidental, muitas vezes deixa que a luz do brilhantismo intelectual se apague pela vida acadêmico-enfadonha. Enfim, alguém com muitas expectativas, com muitas mudanças e sem nenhum foco para onde “atirar” as suas certezas.

O que escolher quando as portas estão sempre abertas no que se refere ao firmamento de sua personalidade. A mentira da vida normal te aconchega e a verdade dos anos que passam te seduzem, mas nada disso pode ser medido sem experiencias. Precisamos sempre provar para saber o que realmente nos apetece. Precisamos beber a água da fonte para saber se realmente é aquele gosto que você decidirá levar para o resto de seus dias. Independente do tom profético dessas palavras, observo que há possibilidade para mudanças em todo e qualquer tempo, basta uma motivação verdadeira e, quem sabe, um coração que bate mais forte.

Correria, baladas, noitadas, estudos, famílias, amores, desamores, tristezas, felicidades, bipolaridades, futebol, salão de beleza, necessidades fisiológicas, café, endorfinas, dopaminas, limonadas, almoços, jantares, mudanças, firmamentos, trabalhos, demissões, cachorrinho, bicicleta, moto, carro, feijão, arroz, nexo, burrice, inteligencia, homossexualismo, decisões, masculinidade, probabilidades, sobrancelhas, intenções, musica, caminhadas, prisões de ventre, igrejas, celulares, notebooks, decepções e banalidades... a escolha é sua.

* Texto inspirado em “Vicky Cristina Barcelona” de Woody Allen.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Apenas escolha...

Sempre levei uma vida de escolhas, assim como todas as pessoas que se propõem a viver de uma forma mais sincera e justa consigo próprio. Já sabia que as escolhas são fardos que carregamos para sempre (ou quase) em nossas vidas quando comecei a tomar algumas decisões que poderiam me corromper ou me glorificar por toda vida. Salvo em alguns casos, nunca tive muita coisa que me prendesse, uma vez que minhas escolhas assim me direcionavam a um caminho de certezas incertas, como um rapto de todos os meus conceitos sobre a moral e os bons costumes.

Como se procurasse os pares certos de meias para um ótimo espetáculo fui assim abordado, de forma abrupta, mas nunca de forma indevida, para subverter algo que em 6 anos nunca pensei sobre. Creio que 30 segundos se passaram antes de tomar uma decisão até aquele momento visto como algo impossível, mesmo que não acredite nessa denominação. Os destroços foram juntados de forma rápida, como um simples quebra-cabeça educativo, em que juntava peças que em 23 anos nunca pensei que existissem dentro de mim. Minha cabeça não parava de martelar a incerteza das conseqüências de um aceite ou uma negação. Gostaria de ter mais tempo para pensar já que tenho tentado, por enquanto de forma inútil, viver sem as frustrações de se decidir as coisas no limite entre o pensamento e as atitudes provenientes dos pensamentos.

Um olhar brilhante esperava uma resposta positiva, que poderia modificar tudo o que construí (ou destruí) em um largo período de tempo, com os mais variados argumentos imperfeitos para me adequar a essa nova realidade. Mas aqueles olhinhos brilhantes, que tanto me ajudam a racionalizar tanta coisa, esperavam, como que uma eternidade, uma resposta clara, rápida, e, se possível, positiva. Os flashbacks em minha mente não paravam de ocorrer. Desde minha infância, passando por minha juventude rebelde, me levando até o determinado momento em que aquela decisão simples, poderia mudar o rumo de muitas coisas. Ou pelo menos poderiam iniciar uma reação.

Logo eu que nunca ponderei muito para decidir algo me minha própria vida agora me vejo cercado com apenas uma opção a seguir. Os caminhos podem ser abertos de forma mais fácil, ou então, fechados de uma forma tão aniquiladora que me dá calafrios só de pensar. Pensando pelo lado da razão, achei válido, até porque do que sobreviveria as redenções se não houvessem pecadores, mas por outro, me assustei apenas com a hipótese de não se concretizar o efeito esperado.

Por fim aceitei com medo, e consegui satisfazer aquele lindos olhos brilhantes, sendo coroado com um belo sorriso e um abraço, daqueles bem apertados metaforizando um obrigado por tudo. Vendo pelo meu ponto de vista, tudo poderia se transformar em uma tragédia, mas, que tragédia é bastante a ponto de evitar uma reconstrução, no caso de perda total ? Partindo dessa forma e de todos esses anos em que as minhas atitudes sempre foram grandes surpresas para quem esperava, causando medo ou euforia do interlocutor, mantive o nível de forma exuberante. Mais uma vez, em mais um ano minhas atitudes surpreenderam, só que dessa vez de forma positiva: Quem esperava o silêncio, ganhou algumas boas palavras, e quem esperava o nada, parece que ganhou o tudo. Tomara que eu esteja certo. Tomara.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Com "Ele"

"Entre e sente-se. Não precisa ter pressa em tomar seu café. Enquanto falo, peço-lhe apenas um pouco de atenção em minhas simples palavras.”

E assim começou a minha conversa com ele. Primeiramente falamos sobre a fé. Tratamos de alguns assuntos relativos a moral e os bons costumes que a sociedade lhe coloca como ponto de partida para uma vida feliz. Ele também não acredita na fé. Ou melhor, acredita, mas de uma forma bem diferente do que se é mostrado hoje, em que preceitos pessoais lhe são impostos por um ilícito bem maior. Nem precisei falar sobre as mascaras pessoais que colocamos para sair de casa e enfrentar um dia a mais todo dia.

-“Mais café” ? Disse a ele.
-“Um pouco mais, só que sem tanto açúcar.” Respondeu-me

Como essa vida de mascaras me deixa chateado. Assim como a roupa que escolhemos temos que escolher as mascaras que vestiremos para uma determinada ocasião. Como se escolher uma roupa adequada para um determinado momento já fosse muito fácil. Prosseguimos nosso humilde diálogo. E os governantes, o que falar deles ? Nada, até porque, nem eu nem ele estávamos interessados em politica naquele momento. Muito mais interessados estávamos em sorrir de algumas piadas que falávamos em alguns momentos. Os sorrisos eram fáceis, e podíamos perceber a intensidade de cada idéia que era jogada no “ar”. Respirávamos questionamentos e sabíamos que não conseguiríamos terminar esse papo. O café já estava acabando e as certezas sequer haviam aparecido.

-“Alguma vez, já se apaixonou” ?
-“Sim, mas fui traído. Desde então não me apaixonei por mais ninguém.”

Entendi perfeitamente a falta de confiança no ser humano, algo que sinto em algumas vezes, salvo algumas pessoas com quem aprendo e sorrio quando abro meu coração. Expliquei-o que vivo de uma forma diferente. Sim, utilizo alem das roupas as máscaras que tanto odeio, mas que em um determinado momento posso tirar essas vestimentas sociais sem medo de ser machucado. Mesmo com a sua feição de dúvida, mais um sorriso par foi mostrado. Percebi que ele ficou feliz por saber disso, visto que já me conhecia de outros carnavais e que nunca tinha tido essa oportunidade. Perguntei a mim mesmo: “Oportunidade ?”

Em alguns momentos de nossa humilde vida, não abrimos nosso precioso tempo para obter novas experiencias, fazer novos contatos e quem sabe, retirar alguns sorrisos com isso. Ao vê-lo sair pela porta da frente, entendi que realmente existe pessoas educadas, inteligentes, e que conseguem me fazer ainda acreditar em coisas que por hora não acreditava mais, ou apenas pensava que não. Logo, um sol quente e aconchegante me fez colocar uma roupa nova e sair para encontrar com quem preenche o meu coração em todos os momentos. Encontrar com quem me faz sorrir fácil.

Nesse momento, acordei. Mais um dia chuvoso, mais um dia de trabalho, mas um dia normal. Nossa conversa ficará guardada no livro da vida. Não o livro da vida bíblico, até porque ninguém aqui falou de mitos religiosos e coisas do tipo. Falamos de algo concreto que existe em nossos corações. Foi o sonho mais real que tive até hoje. Nossa conversa ficará guardada, tenha certeza.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Divagar" e sempre...

Adoro as divagações. Adoro a necessidade de sobrepor os pensamentos a idéias e deixa-los soltos pelo ar para o preenchimento por novos seres, integrantes ou não, de minha vida. Nossos pensamentos tem o poder de caminhar pelos meandros da consciência em um dia normal, viajando por proposições, sentimentos e formas, tentando chegar a lugar nenhum.
Por gostar dessa forma humanitária de dividir opiniões, certas vezes sou pego preso em algum assunto, pegado do nada, e logo, criando conexões e paradigmas com quem quer que seja. Mas é claro que os “menos iluminados” não conseguem compreender a continuidade de uma idéia jogada no ar. Por muitas vezes sou questionado por ter opiniões tão soltas relativo a qualquer assunto.
Tenho como um poço de radicalismo. Não consigo ser o “bonzinho” do momento e, em alguns casos, defendo vorazmente minhas ideologias, mesmo vendo nexo nas propriedades de outrem. Mas o caso não é o que penso. Mas a forma que penso e como jogo essas idéias no mundo. Muitos não entendem, outros me rotulam como louco, enquanto alguns poucos se preocupam em colocar suas opiniões a prova para serem analisadas por um novo ponto de vista, ou até mesmo para encorpar suas filosofias em conjunto com novas informações.
Trancamos nossos sentimentos, pensamentos, filosofias, idéias e afins, por medo, insegurança ou qualquer outro tipo de sentimento restritivo, preferindo, ao contrário, julgar as proposições pensadas por um qualquer, geralmente lhe condenando por pensar assim e sequer querendo entender se realmente aquelas poucas palavras denotam realmente o que aquele ser, um humilde pensador jogado em uma cela diária de leões desprovidos de pensamentos criativos, pode estar pensando.
Será que deveria me preocupar ? Paro, penso, dou mais um gole no café e entendo que será sempre assim. Não adianta ficar preocupado pela ignorância alheia. Eles preferem não escrever, mas adoram criticar se esqueço um ponto final, ou erro na acentuação de algum texto que posto neste meu diário virtual. Adoram falar que conhecem os melhores livros, os mais belos escritores e as mais interessantes histórias, mas se eu, em algum momento, digo que não li tal livro, exemplo “Um amor de Capitu” , de Fernando Sabino, questionam meu conhecimento de forma mandatória e afuniladora, esquecendo o que fica pelo caminho.
Infelizmente o futebol perdeu um jogador mediano, a música em algum momento perderá um vocalista regular e não necessidade de se precisar estar em algum sitio que não me faz querer estar serão, em algum momento, trocado por um pensador da vida em que vivemos todos os dias. Os livros que nunca li um dia serão lidos, assim como as músicas que nunca escutei, ou as banalidades que nunca dei importância, um dia darei. E espero sinceramente que todos que pararam em suas proposições infundadas possam ter caminhado para alguma direção nesta vida perdida. Um passo que seja. Realmente eu não li “Um amor de Capitu”, preferi o enredo de “Capitu Memórias Póstumas”, que também não li.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Em cada vazio, um motivo para pensar...

São Paulo, dia 22 de agosto de 2007:

Hoje despertei cedo. Independente de trabalho, afazeres ou domingos a pensar, levantei cedo. Não que isso seja algum fato inédito, já que levanto cedo desde cedo. Prolixo, repetitivo ou não, gostaria de atentar que hoje pude ver algo que há muito não encontrava: O amanhecer de um dia sóbrio que se mostrava para mim. Decidi dar uma volta o parque, lembrando-me do inicio de minha caminhada solitária, em que, para disfarçar a solidão e esquecer do óbvio, caminhava por lá. Sentei no mesmo banco em que sentei da primeira vez que fui lá, de frente para a réplica do 14bis exposta no parque. Meu pensamento estava longe. Cometi um crime comigo mesmo e estou cumprindo pena aqui. Não faço idéia de quando terei a minha alforria, já que pensei que ela estivesse do outro lado daquela ponte, em que, na minha primeira visita, atravessei fielmente todas as segundas, terças e sextas, salvo os dias em que precisava resolver algo que não fosse de interesse pessoal. Descobri que alguns dos poucos amigos que consegui fazer por aqui resolveram por me buscar amanhã a noite para darmos uma saída e dançar um pouco na boate mais quente do bairro. Tinha certeza de que eles não lembrariam, mas como um deles trabalha na farsa do Poupa Tempo, as coisas ficaram mais fáceis para eles. Constatei que não faço a minima idéia do que estou fazendo por aqui. Não no parque, meu companheiro de todos os meu momentos de tristeza, mas aqui onde me encontro. Na loucura dos dias normais na cidade que não dorme, acabei de descobri que também não durmo, logo, não sonho. É duro não sonhar. São 7 horas da manhã, a padaria começará a servir o café. Decidi que hoje não tomarei um café de sempre, com pão fresco e uma caneca de café com leite. Tomarei uma cerveja bem gelada com uns salgadinhos frios da noite passada. Assim começará realmente meu dia, meu martírio. Amanhã é meu aniversário, mesmo não ligando, gostaria de ganhar um presente: Uma passagem de volta para a minha vida normal.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

So(m)brancelhas felizes

Será que alguém já percebeu que a produção estética atual tem obtido grandes resultados no quesito produção em série ? Pois bem, passados os conflitos pessoais relativos a algumas decisões necessárias para que certos desejos comecem por tomar força, voltei a observar algumas coisas que antes me prendiam a atenção. Reparei que todas as mulheres que “circulam” por minha vida, salvo “Dona Guilherme” e minha digníssima progenitora, vivem um modelo padrão de beleza uniforme, um estilo que, em minha humilde opinião, deveria se mostrar como algo único no universo feminino que tanto desconheço.
Mas o que tem acontecido é exatamente o contrário. A cada dia, parâmetros são afunilados até o ponto de se formar uma coisa só. Tomamos como exemplo as sobrancelhas: o formato definido pela maioria das habitantes do sexo feminino que vejo possui aquele formato “feliz” que em pouco se distingue com as sobrancelhas dos demônios de alguns desenhos animados de minha infância. Não estou querendo colocar as mulheres que possuem um cuidado exacerbado com sua aparência em questão, mas sim o modelo de produção em série em que elas se encontram. Será que, para atingir um determinado elogio social no quesito beleza, é necessário se adequar a algum modelo estético do momento, mesmo que esse padrão não seja o seu ?
Dessa forma, partimos para a já batida questão das amarras sociais, mesmo que transvestida em forma de moda, ali estão elas. Para nos sentirmos “únicos”, fazemos o que a tal moral e os bons costumes no micho em que vivemos nos coloca como certeza, fazendo assim uma geração de semi clones com endereços diferentes e alguns dígitos distintos em nossos documentos de identificação. E a raça das sobrancelhas felizes não para por ai: a cada dia, mais e mais mulheres se colocam nestes formato, independente do que seu próprio coração lhe revela ao olhar por mais de três segundos no espelho de seu lar. Toda essa produção foi muito cara, doeu no bolso, por isso elas precisarão se adequar a isso começando a achar o feio, o igual, o mesmo, bonito aos seus olhos. Felizmente não me preocupo com a cegueira estética atual, mas me sensibilizo com as combinações fúteis que são jogadas dia após dia no mundo.
Posso falar com propriedade no assunto, visto que não tenho parâmetros de moda. Não gosto de modas. Não sigo tendencias. Em alguns momentos, procuro subverter o programa noral delas.Se hoje utilizo aquelas blusas curtas que beiram as já manjadas baby look masculinas, há tempos utilizadas por homossexuais e freqüentadores de academias sem nenhuma conexão cerebral pertinente, em outros momentos, minhas camisetas parecem saias, quase no joelho, podendo ser confundido com qualquer rapper emergente que possa estar andando em alguma periferia de nosso pais. Adoro ver as mulheres subvertendo os padrões modelísticos que nos acorrentamos diariamente: sobrancelhas grossas, cabelos encaracolados, sem prancha, sem escova inteligente (!), ou até mesmo ver aquelas mulheres que pararam no tempo, seja pela idade ou seja pela impossibilidade financeira de seguir tendencias, em que as sobrancelhas realmente mostrem o que realmente a boca e as outras expressões faciais possam deixar transparecer.
Tão bom quanto ver alguém real nesse mundo de semi clones, é saber que em algum momento tudo isso vai “cair”. Logo, quando a moda mudar, quando as orientações estéticas se mostrarem contrárias ao que se passam, teremos uma raça de sobrancelhas felizes e fora de moda. E o que faremos ? Eu terei um sorriso pronto, guardado no canto de minha boca, para ver a nova corrida da moda começar: sem pódio, sem champanhe, sem classificação, será apenas mais uma corrida em que o necessário é chegar, independente de classificação. A corrida dos clones (rs).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Mp3, Cinema e Testosterona...

Em minha face, todos os dias em que acordo cedo e vou dormir lá pelas duas. Os bocejos involuntários que me fazem recordar de quantos sorrisos pude dar até que o relógio despertasse para que eu pudesse viver novamente este caos.

O figurino não é o que esperam de mim: Camisa branca, bermudão e all-star personalizado. Típico adolescente que se questiona entre mp3, cinema e testosterona. Você não deveria estar mais "bem apessoado" para hoje?

Minha roupa não importa, o importante é que ele esteja bem bonito. Frio e ardiloso prossigo. Aquele frio em meu estomago permanecerá durantes estas nove horas em que me separam de ser um homem livre ou de me submeter aos desvios de uma humilhação semanal.

E a saga continua...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quando as Negociações falham...

Você perde seu precioso tempo na organização dos pensamentos. Agiliza com calma, todas as premissas para que tudo possa correr da melhor forma possível, sem caos, sem perdas e melhor ainda, sem ferimentos. Só que por ignorância alheia as negociações falham. Falham pela falta de educação ou simplesmente pela infantilidade triplicada em uma figura que nunca foi nada o que deveria ter se programado a vida inteira.

As negociações falharam: E agora o que fazer? Partir para Ignorância? Serei melhor que isso, assim espero. O momento para "acabar com o jantar" já foi escolhido. Infelizmente a possibilidade de sorrisos posteriores já se esvaiu na ultima oportunidade de se pensar. Mais alguns dias e eu estou livre disso aqui, pronto para me dedicar, me arriscar e assim conseguir ou não o que eu tenho em mente.

Na cabeça dele, eu nunca terei um plano B, levarei mais seis meses para tomar outra atitude mais ríspida, já que da ultima vez tudo foi relevado. Só que dessa vez não será, tenha certeza. Não sou o "ser inferior" que pensa que sou. Sou a pessoa que vai estragar o seu final de semana. A pessoa que não vai te dar sossego quando colocar sua cabeça no travesseiro, pois quando começar a pensar estarei em seus pensamentos. A possibilidade da solidão incomoda, eu sei, já passei por isso. Mas agora é a sua hora de passar por isso. Sofra em paz.

Disfarce com um belo sorriso ou com uma bela piada todo o seu desespero em me perder. Atribuam a mim todos os defeitos que desejar... Não estou mais ligando.

As negociações falharam.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Certezas duvidosas

Estabelecemos-nos através de certezas duvidosas.
Mas até que ponto deixaremos de trocar o certo pelo duvidoso?
Até que ponto não arriscaremos nossa felicidade ou nosso declínio para um bem maior.
Agora, o momento sou eu, o bem maior sou eu, e à hora... é agora (ou melhor, na sexta-feira).


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Escolher ou fazer... Escolher e fazer.

Escolhemos o que vamos fazer, ou apenas fazemos o que escolhemos? Precisamos fazer escolhas em alguns casos: Escolhemos se vamos fazer se seremos felizes ou se sofreremos, mesmo que por um curto período de tempo. E a partir dessa escolha, colocamos em pratica aquilo que decidimos para aquele determinado momento, independente de conseqüências posteriores.

Podemos escolher sofrer apenas para obter a felicidade. Mesmo que o medo recaia sobre atuais questionamentos ou até mesmo sobre alguns esforços que necessitamos fazer para que tudo "caminhe", a escolha deve ser cumprida, com ou sem sorrisos nos olhos.

Ao fazer, já predeterminamos o que poderá acontecer, mas é claro que, graças a Murphy, acontece sempre diferente. Quando isso acontece você para, olha e pensa em tudo o que está acontecendo. Pensa em sua vida antes do acontecido, e o que será de sua vida após o ato, e assim decide prosseguir a caminhada. Pensamentos rápidos, de menos de um centésimo de segundo podem decidir uma vida inteira.

E nessa forma eu já decidi a minha.
Escolher ou fazer, eis a questão para você...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Calma ?

Às vezes, as coisas param de caminhar. De tempos em tempos, depois de uma grande movimentação, as coisas param. Ou então começam a caminhar de uma forma mais devagar, mais branda, causando um grande estranhamento para quem já está acostumado a viver "a mil por hora”.

Tenho tido essa impressão de que as coisas estão sem uma movimentação às alturas de minha hiperatividade. Salvo em alguns momentos, chego a ter medo dessa queda abrupta de ritmo nos acontecimentos existenciais. Clamo por mais rapidez, mesmo sabendo que em alguns momentos precisamos descansar ou até mesmo precisamos cessar, para que não consigamos chegar ao final [ou ao começo] em um tempo menor do que o esperado.

Mas quais seriam as conseqüências? Na minha humilde e sincera opinião, nenhuma. Mas é claro que o ser humano medroso relativo às questões do mundo dirá que às vezes a calma é a aliada dos apressados. Mas nem sempre precisamos de calma. Não dessa calma. Precisamos de alguns momentos de calma sim, mas essa calma, a que estagna as coisas ou faz com que as coisas andem mais "despaciamente".

Não quero essa calma.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O que esquecemos pelo caminho...

Temos o hábito que de esquecer diversas coisas ao longo de nossas pequeninas vidas: Esquecemos as senhas de acesso do caixa eletrônico, esquecemos alguma data de aniversário que não deveríamos esquecer, dividas, enfim, esquecemos muita coisa. Outras, deixamos pelo caminho, como uma simples parte de nossas vidas que, no passado, teve alguma importância.

Não tenho o costume de esquecer de muitas coisas. Tenho uma memória privilegiada [quando quero] , mas também deixo algumas marcas do passado em meu caminho. Não que eu “reformule” minha lista de amigos de tempos em tempos, ou que eu adquira um novo gosto musical a partir de uma “nova visão” que me faça decidir por um novo som. Apenas vou deixando pelo caminho, algo como “rastros”, que a critério de quem lhe é dado pode ser seguido.

Digo isso porque na ultima noite, passei por um lugar que há muito estive em bons e velhos tempos. Tinha uns 17 anos quando conheci aquela família. O pai possuía uma amante e não fazia o menor esforço para esconder. A mão, diabética e dependente de seus outros familiares, um tanto quanto mais preparados financeiramente que ela. A filha, namorada de um velho ex-amigo meu que hoje possui um filho, deste meu ex-qualquer coisa, e com uma separação em suas costas.

Antes, não havia nenhum dia em que passasse por aquele caminho que não parasse para tomar um café ou comer um novo quitute que a mãe preparara em um tempo na esperança de alguém chegasse para provar. Hoje, no auge de meus 23 anos e com muita s coisas em minha cabeça, preocupações ou não, passo friamente por aquele caminho sem nem mesmo olhar para cima. E quantas vezes eu já não passei por este caminho depois das reviravoltas da vida que tive e nunca parei para contar as “novidades” ou então para me debruçar naquela varanda e ficar divagando sobre coisas e mais coisas.

Esquecemos coisas pelo caminho. Eu mesmo as vezes sempre esqueço alguma data, algum pedido ou até mesmo algum numero de telefone que não poderia esquecer. Mas também tenho esquecido pessoas com a maior facilidade do mundo. Não esqueço quem não me esquece. Mas acabo por esquecer pessoas de alguma relevância no passado, mas que neste momento de correria e produção perderam completamente a necessidade de minha presença, de meus sorrisos e de minha tagarelice. Essa família perdeu.

Certa vez a mãe ligou para a minha casa, para saber como eu estava, me pedindo para retornar a ligação quando retornasse já que não estava em casa. Não retornei e infelizmente não sinto a menor culpa por isso. Esqueci vocês pelo caminho.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Solução

Decidi respirar fundo até encontrar a solução exata e o mais importante, no momento exato.
Ao acordar, vi que a horário base já tinha se estourado. Nenhum beijo, nenhum carinho, salvo alguns olhares e beijos esquecidos no ar. Enquanto me armo para este mundo de ignorância e hipocrisia, me desarmo ao ter que escolher o que me alimentaria provisoriamente. Um beijo me é dado, e por um minuto, me fazendo esquecer o problema que eu encontraria.

Assim que o motor ferveu, fomos. Delirando pelos ares e retendo os últimos momentos de companhia, antes que a saudade se fizesse presente em nossos corpos. Algumas melodias entoadas transformaram aquilo tudo em uma suave sinfonia. Nunca vou me esquecer de você, tão compenetrada, enquanto me conduzia para meu enfadonho labor, fazendo com que este caminho fosse apenas mais um momento em que guardarei em meu pequeno coração.

Minhas despedidas são sempre baldes de água fria, prontos a serem jogados para os mais dorminhocos, que insistem em ficar cinco minutos a mais na cama. Os olhos, caídos ainda, e as roupas amassadas, porém limpas, mesmo assim, a felicidade se fez presente, e mais uma vez eu pude encarar o problema, porque sei que a solução está comigo sempre que eu precisar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Problema

E então, vamos decidir logo tudo isso para que possamos cada um viver a sua vida ?

Algumas coisas levam tempo. O fator tempo que às vezes atrapalha. Tenho esperado muito tempo por isso, e sinto, a cada dia que abro os olhos e tenho que me revestir de um escudo de mentiras, que está se aproximando a hora da decisão final.

Por mais que a minha necessidade tenha se feito primordial, razão pela qual muitas coisas são toleradas preciso sair desta clausura que me machuca diariamente, todo o expediente.

Sou impulsivo, intempestivo, malcriado, boca-suja, respondão e "tenho resposta para tudo”... Você não precisa me agüentar, porque eu, mesmo te vendo todo santo dia útil, não te agüento.

Sinceramente, não quero dinheiro, indenizações, salarios-desempregos... Quero apenas paz, para que eu possa pensar oxigenar meu cérebro e partir para um novo ciclo, uma nova visão em que eu possa ser algo e não o que sou hoje: Um funcionário informal, com acumulo de funções e visão prejudicada pelo largo tempo em um PC e a luz sempre quebrada. Os conflitos de gerações estão cada vez mais freqüentes.

Na mesma estética de uma novela mexicana: O problema não é você, sou eu. Ou melhor, seu problema é a minha solução...decida ou eu decidirei.

domingo, 5 de abril de 2009

Café, ônibus e sono...

Às vezes me encontro em um imenso dilema:
Com algumas moedas em meu bolso furado, tenho que decidir se pego um ônibus ou se tomo um café. Pegando o ônibus, conseguiria te ver com mais rapidez e assim teríamos mais tempo para aproveitar nossa loucura consciente. Mas tomando o café ficaria mais tempo acordado, e pensaria mais em você.

Café ou ônibus, eis a questão.

Se tudo fosse tão fácil quando tomar um café ou pegar um ônibus, acho que conseguiríamos dar mais sorrisos. Encontro-me tão feio e maltratado nestes meandros de pensamentos e mais criticas em que me enfio. Machuco-me apenas por pensar que poderia ser melhor, ou que eu poderia fazer de outra forma. Mas a forma é essa, então vamos fazer. Ainda bem que você existe em mim, para me curar dessas feridas e me trazer um pouco de cores em alguns destes momentos.

Da mesma forma em que te quero, te repudio. Mas te gosto mesmo assim. Gostaria de deitar em uma boa cama e adormecer com a minha patroa do lado direito. Mas tenho que atender esse telefone maldito. Tenho que desligar o despertador. O que era prazer tem se tornado uma preocupação constante, o que era um sonho tem me tirado o sono. Graças a minha patroa eu consigo dormir em alguns momentos, pois sei que ela estas me protegendo enquanto durmo. Devolva o meu sono, devolva a minha paz... Resolveremos isso da melhor maneira.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ter ?

Odeio o titulo de posse. Aquele sentimento ridículo de "ter" alguma coisa e se beneficiar disso para colocar os outros no chão. Tive duas experiências dessas nessa minha semana que se finda hoje.

Complicado, mas real. Todos pensam ter alguma coisa, mesmo sabendo que nada que temos nos pertence propriamente. Tudo que temos não é nosso. Não me venha com esse papo ridículo de religião de quem "tudo não é nosso, é de deus" que também não é bem assim que a banda toca.

Construímos um mundo de castelos, salários e posses em que o "ter" nada mais é do que ser melhor do que alguém ou de poder pisar em você, como se fosse uma simples formiga entre os pés de uma cidade grande.

Infelizmente o mundo se esquece que na vida existe coisas mais importantes do que o dinheiro e as conquistas materiais. Onde vamos chegar dessa forma.

Fiquei muito triste com essas situações que tive que passar, mesmo que por opção, mas, observando melhor, agora me encontro bem porque sei que tenho mais do que qualquer pessoa. Tenho amor, carinho, atenção, saúde e felicidade para dar e vender. Sou feliz por minhas conquistas, mesmo que elas não tenham caráter material. E mais: Ainda tenho muita coisa para conquistar!

Claro que quero, um dia, poder andar com um bom carro, dormir em uma boa cama e ter grana para parar naqueles restaurantes grandes em que todos param de terno e gravata. Mas tudo em seu tempo, não me pressiono para isso. Hipocrisia seria dizer que não quero viver bem, mas também extrapolaria dizendo que tenho que ter tudo nesse exato momento.

Mais tato da próxima vez... Ninguém é dono de nada.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sentado no banquinho.

Não quero nenhuma das flores que caem das arvores; Seu sorriso em uma manhã de outono qualquer já me basta.
Assim como as verdades, ora contestáveis, ora absolutas. Várias verdades em que nenhuma se passe como a mais bela mentira inventada por quem não se lembra mais.

Pensar no “uno” ? Descartes pensou em “duo” e eu, mais burro, penso sempre no plural.

Seu sorriso, meu bálsamo, que me alivia todas as manhãs. Pena poder lhe oferecer apenas alguns versos recheados de clichês e de pouca inspiração.

Pouco importa se o jeans que me veste não és o linho que te apetece, porque acabo de descobrir que os dentes artificiais também podem [e conseguem] sorrir.

Se pudesse chover de segunda à segunda meu olhos brilhariam mais. Ainda prefiro o cinza de algumas manhãs ao ensolarado e incomodo que são os “dias normais”. Te espero aqui, sentado no banco da frente. Sem pressa, sem nervosismo e sem dramas. Basta uma folha de papel, uma caneta e um pouco de música boa para me distrair até a sua chegada.

Os fones de ouvido tem lá sua utilidade. Mesmo desligados, afastam presenças de qualquer espécie. A pilha já havia acabo antes mesmo de eu me sentar aqui neste banco com cheiro forte de verniz e tina a óleo. Ainda te espero, não tarde em chegar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Fora do Mapa by Dead Fish

"Que seja sem destino
Que seja sem razão
Que seja tão intenso como tudo deve ser
Eterno como um minuto sem explicação"
*Fora do Mapa. Dead Fish - "Um Homem Só", Faixa 04

sexta-feira, 27 de março de 2009

Enquanto isso, no pais das maravilhas...

Greve Rodoviária. Posso dizer que foi lindo.
Em meio a todo aquele caos urbano, eu divagando sobre a realidade social, a urbanização exarcebada e outros fatores.

Sim eu era mais um dos hipócritas que recorreram a um carro para que me conduzisse até o ponto mais fácil para pegar uma nova condução. Mas também fui aquele trabalhador que, com o dinheiro contado, necessitou fazer uma "baldeação" entre lotações para chegar ao seu destino.

Ser favorecido e desfavorecido em um intervalo de duas horas. Confesso que, sendo favorecido, pude pensar divagar sobre várias questões e ainda mais, aproveitar por estar mais um momento perto de quem eu gosto de estar. E sendo desfavorecido, me atirei em mio aos transportes alternativos lotados, com várias pessoas de pé e suando, necessitando chegar ao seu destino, com medo de uma demissão ou até mesmo de um prejuízo relativo ao horário de chegada ao serviço.

Ser favorecido é fácil demais. Consegui tomar meu café com tranqüilidade, escutar as notícias, escovar os dentes, pentear os [poucos] cabelos, enfim, consegui fazer tudo porque saberia que seria favorecido.

Mas e quando entrei no primeiro dos dois coletivos que tive que pegar: Descaso, suor e desespero para chegar rápido. Com medo do transito violento e com vontade de pular da lotação e voltar para casa, com medo dos perigos urbanos que nos atrapalham e nos desestimulam dia após dia.

Enfim, viva o favorecimento, mas saiba se portar no desfavorecimento.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Tempo

Ainda temos tempo ?
Ainda temos tempo.

Será que estamos vivendo ?
Ou apenas respirando ?

segunda-feira, 23 de março de 2009

As coisas que não entendemos...

"E quando o mundo passar, ainda estaremos aqui”.

Um encontro nada convencional, uma noticia inesperada tirou o meu sossego na ultima terça-feira. Descobri que minha amiga, Marcilene Lopes Loiola, no auge de seus 28 anos, veio a falecer no dia 25 de dezembro de 2008. Mesmo recebendo essa noticia quase três meses depois, os calafrios permanecem.

A ultima vez em que encontrei Marci [para os amigos], ela estava em frente ao meu trabalho, no ponto de ônibus. Eu, como sempre, fiz alguma brincadeira e um abraço apertado, daqueles de saudade, selaram nosso reencontro. O Mês era o de Julho, que agora ficou marcado como a ultima vez que vi Marcilene.

Conversamos sobre tudo: Sobre o Mauricio [filho dela] sobre a nova criança que já estava com dois anos, para se ver o tempo que estive longe de seu convívio. Trabalho, estudo, musica e tudo mais, relembrando os velhos tempos de Pré-Vestibular, em que nós nos conhecemos. Ela, que sempre chegava cedo para arranhar algumas notas no piano velho daquela igreja morma, e eu, que sempre chegava cedo para compor algumas canções adolescentes.

O popular: "Pô, tu toca rock nesse teclado?" foi o inicio de nossa amizade. O resto é história.

E nas flores da vida, sempre nos encontrávamos. Nada marcado, sempre alguma estripulia do acaso. Já trabalhamos no mesmo lugar e não sabíamos, já fizemos outros cursos juntos, já estivemos nos mesmos shows e nunca nos vimos... Essas coisas de amizades desencontradas. Mas sempre que nos encontrávamos a festa era normal. E é isso que irá ficar marcado. Essa lembrança de alegria que tínhamos apenas por sabermos que, em qualquer esquina, poderíamos nos encontrar e "jogar um pouco de conversa fora" já bastava.

Mesmo com atraso, leve minhas sinceras condolências. Nada para falar, alias, nunca tenho nada para falar em momentos como esse. A única coisa que martela minha cabeça é que nossas vidas estão passando rápido demais. Precisamos correr para aproveitá-la e assim, não morrer em vida, com aquela sensação de "poderia ter feito mais".

Meus pêsames, Marcilene.
Descanse em paz, minha amiga.

Marcilene Lopes Loiola faleceu no dia 25 de dezembro de 2008, ás 14h00min, fruto de uma infecção no fígado. Os médicos não conseguiram diagnosticar tal infecção antes de seu falecimento.

"E quando o mundo passar, ainda estaremos aqui”.


sexta-feira, 20 de março de 2009

BELO ESTRANHO DIA DE MANHÃ

“É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer com você
É só um jeito da gente ficar junto
É só um jeito de eu enlouquecer...”


Enlouquecer?
Se ser louco é te amar, então que seja.
Dizem que louco fica rindo de tudo...
E eu sorrio bem mais quando estou com você.
Louco de você?
Louco por você?
Louco com você?
Pouco me importa meu grau de loucura,
Se você estiver comigo, tanto faz.
Tanto faz ser louco ou normal
Contanto que me ame loucamente.
Você é louca também?
Você é louca também...
Um duo de loucos, desvairados, amantes e amados.
Sinta-se feliz por ser louca,
Porque de nossa loucura, entendemos muito bem.
Feliz por ser louco feliz por ser amado.
Se ser louco é te amar, então que seja.

"Vai ter mais tempo pra gente ficar junto
Vai ter mais tempo pra enlouquecer com você”
* Roberta Sá - Belo Estranho Dia de Manhã *

quarta-feira, 18 de março de 2009

Correr para Crescer

Um dia desses, na volta de um ensaio com a Aurorah, fui questionado por um amigo:

- E então Guilherme, como estão as coisas ?
- Bicho, nada tá tão fácil não, mas estão melhorando.
- Isso ai, o negócio é esse mesmo: Correr para Crescer !

Quando escutei essa ultima frase não havia me dado conta do que ele realmente havia falado. Achei que fosse alguma gíria daquelas que sempre o escuto proferir, ou então algum jargão que ele sempre utilizou, mas, o que realmente importa é que essa frase mexeu comigo.
Correr para crescer, essa é a atual preocupação de todos hoje em dia. As vezes sou cobrado por algumas coisas que, sinceramente, não entendo bem. Uma dessas coisas é o fato de estas sempre “em movimento”. Para se ter uma noção dessa inquietude: A Aurorah teve um recesso no carnaval e quando voltamos, já tinha mais de oito shows marcados. Eventos marcado até o final do ano. Algo como se eu não tivesse parado de funcionar na semana do Carnaval.
E realmente não paro. Estou sempre em movimento intenso e sem precedentes. Por isso o tal “correr para crescer” me foi tão sugestionado. Acabei criando algumas teorias sobre isso, e realmente cheguei a conclusão de que em tudo que se tem uma oportunidade de crescer, é necessário correr. E em tudo que se corre, conseguimos crescer. Ultimamente li no jornal que a solução para a crise internacional encontrada por algumas pessoas é recorrer ao concurso publico. Não posso dizer que nunca pensei nessa hipótese, mas pensar nisso como a “salvação” já é uma coisa complicada demais para minha cabeça pensante.
De um dia para o outro eu virei “concurseiro”. Estou afiado quanto as ultimas convocações, quanto aos concursos que vão abrir, as bancas examinadoras e afins. Nem mesmo o quantitativo dos candidatos me causa algum medo. Mas, se eu disser que nunca pensei nesse “lance de crise” , poderiam me chamar de mentiroso. Mas realmente não pensei (que chamem !). Mas será que ganhar um salário meio que astronômico para os moldes brasileiros de R$ 600,00 e um Rio-Card, é a verdadeira salvação para a crise ?
A crise não está na falta de dinheiro, mas sim pela necessidade de obter mais e mais, sempre. A crise está dentro de você. Se ninguém tivesse falado sobre a crise, você não saberia que o mundo está assim, então, porque agora, colocar a culpa de tudo na bendita crise. O que fazer ? Concursos Públicos ? Vender Carros ? Poupar em sua caderneta. Acho que a primeira coisa a se fazer é se tratar. Depois o resto seria mais fácil.

Continuarei a tentar ser aprovado e convocado em algum concurso.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lenine - Circo Voador [14-03]

É sempre bom juntar o útil ao agradável. Unir um momento feliz com uma data especial pode ser algo que funciona muito bem. E foi isso que aconteceu no ultimo sábado, dia 14-03, em que estive no Circo Voador para ver o show da Tour Labiata do Lenine. Em motivo pela comemoração do aniversário de minha dadivosa patroa, decidimos ir. Após um dia cinza, chuvoso e meio frio, saímos para curtir um ótimo som e comemorar a data.
Um passeio pelas ruas da Lapa, vimos que o movimento, ainda baixo, tinha sido prejudicado pelo Iron Maiden, que se apresentaria na Aponteose. Mas vamos ao Circo: É aquela velha história, quem conhece, sabe. Adoro o Circo Voador. Me sinto bem naquela casa. E tocando alguns "sambinhas modernos", nos quedamos em danças. Ela Sambando de forma ímpar e eu, sem sambar, mas me mexendo como podia. O resultado foi positivo.
Impossível ver um set montado para quatro músicos e não ficar na expectativa de ver "que bicho vai sair dali", já que pela complexidade musical do artista citado, quatro músicos é um numero reduzido pela quantidade de musicalidade embutida. Mas isso também funcionou.
Começando com "Martelo Bigorna" e já emendando "Lá e Lô" fiquei contente, pois saberia que encontraria músicas que nunca achei que teria oportunidade de ve-las ao vivo. E assim foi: "Acredite ou Não", "O dia em que faremos contato" e "Candeeiro Encantado" foram gratas surpresas para este rapaz que, na metade do show, já estava vendido pelo talento em doses cavalares deste pernambucano envenenado e inquieto.
Pausa para "O que me interessa" ... Momento Mágico. Momento Belo.
Enfim, tive a grande surpresa pelo set não contar com "Jack Soul Brasileiro" e "Paciência" , mas confesso que fique feliz em saber que a ausência destes sucessos deve-se apenas em respeito a uma votação na Internet, que foi respeitada, tocando apenas as músicas escolhidas. Ponto para o Lenine.
Uma volta tranquila, um sono tranquilo e um novo dia se iniciava, com as lembranças da maravilhosa noite de sábado que passei. O Melhor disso tudo é que a felicidade não acabou no sabadão. Ela prossegue. Aqui estou, trabalhando com um sorriso de "canto de boca" .
Acredite ou Não...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Madrugada

Sexta Feira 13, dia de jogar na mega-sena.

Das 24 horas passadas, só duas foram dormidas.

Totalmente ligado, sem fome e sem danos.

Mas odeio esse lugar, esse cheiro, essas roupas.

Levanto, vou tomar um ar, enquanto aguardo.

Começa a chover, passando o jornal da Globo.

Falam sobre o Ronaldinho, eu ligo o som.

"Memórias de um Sargento de Milícias" e Shadows Fall.

Começa CSI no Sbt.

A máquina de café está com defeito.

O frio começa a incomodar.

Como nos cansamos no ócio.

Um socorro.

Uma Ajuda.

Um banho quente.

Duas horas de sono.

E pronto para iniciar tudo de novo.

"Onde estou com a cabeça", sou questionado.

Eu estou com a cabeça em você... até o fim.

Quantas madrugadas forem necessárias.

Sexta feira 13, cuidado com o Jason, e com o gato preto.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A INÉRCIA E A METAFORA DOS MACACOS.

O que fazer quando se está parado no tempo ?
- “Nada”

Ótima resposta. Mas não me deixa satisfeito com ela. Aliais, quase nada nesse mundo tem me deixado satisfeito: É tanta ganância, competições sem necessidade, aquela coisa de “um querendo ser melhor que o outro” , “um querendo sacanear ao outro que lhe cumprimenta todo dia no ponto do ônibus”.

Nada de egocentrismos ou misantropia gratuita, só precisava de oxigênio em meu cérebro.

Mesmo parado, e necessitando esperar por alguma coisa que nem sei direito o porque estava esperando (detesto esperar) não consigo utilizar esse tempo vago para pensar. O “não pensar” é o pensar em tudo, assim como o “pensar em tudo” é muito mais do que um “blefe” qualquer.

Imediatismo é a palavra. Sou muito imediatista. Esperei incessantemente por 23 anos para que uma melhoria acontecesse em minha vida. Agora que aconteceu, quero mais (vai entender !)
Quero mais sim, fico me perguntando quando que mais coisas irão acontecer. O mais complicado é o querer e o “querer logo”. Sempre voto na segunda opção, mesmo sabendo que as coisas não funcionam dessa forma.

Nossa, que pessoa feia que acabou de passar por aqui !
Cara cansada, olheiras, semblante destruído e pesado. Já tem cara de uns 60 e poucos anos, mas está acompanhado por um outro rapaz que parece ter a minha idade. Que desnível. Não quero terminar assim !

Ser macaco é complicado, mas é mais complicado ser humano. Ser humano.
Aquele ser humano que pula de galhos. Sabe, pular de galhos fracos para galhos fracos não está mais me bastando. Quero pular para um galho que me estabilize, acalme minha mente e me deixe realizar algumas coisas.

Ser humano. Prefiro ser eu mesmo.

terça-feira, 10 de março de 2009

No Shopping

Escrever no Shopping é algo complicado.
Quanto mais você procura o silêncio, menos o acha. Mesmo concentrado nos escritos presentes, sempre tem uma vitrine brilhante te convidando para dar uma “olhadinha”.

Pessoas, sorrisos, conversas, celulares: A maior expressão da banalidade em um Shopping. Para que estar onde todos estão ? Essa vontade louca de estar onde a grande massa de acéfalos urbanos se encontra chega a me dar nojo.

Aqui na minha, sentado em frente a uma loja e de costas para uma casa de fliperamas, fico esperando meu telefone tocar com alguma novidade, ou até mesmo a notícia em que estou esperando. Penso em minha namorada e faço um poema. Fico divagando sobre possíveis letras de músicas para a minha banda, entre outras questões pessoais existenciais não pertinentes para você que lê este texto.

O silêncio é impossível mas pelo menos aqui tem ar condicionado. Tá um “inferno” lá fora.

Será que o meu patrão capitalista vai me pagar certinho hoje ?
Mesmo não sendo capitalista, estava precisando de um pouco de dinheiro, ou melhor, precisava de uma limonada bem gelada. Enfim, precisava de dinheiro e da limonada. Dinheiro para comprar a limonada.

Já disse que está quente lá fora, né ?
Daqui a pouco vou pegar o 4º ônibus dos 7 que estão programados para eu pegar hoje. Queria poder chamar a minha namorada para ir em um barzinho, um lá na Cantareira, para tomar uma cerveja e escutar um Rock and Roll. Talvez eu chame. Talvez eu vá. Ou então, me contentaria com um belo copo de leite para adormecer tranqüilamente. Um café também não seria rejeitado.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mulher

Eis que vem ela ...
Sem dizer uma palavra, me beija.
Ela é assim, fala em silêncio.
Como uma orquestra muda.
És a minha mulher, és a minha atriz.
Alguém que me salvou de um pior momento,
Alguém que me privou de emoções tristes
És a minha mulher.
A tradução mais fiel de minha felicidade.

quinta-feira, 5 de março de 2009

60 segundos de hostilidade gratuita.

Palavras curtas, tempo curto
possibilidade de mudança, movimentação acelerada.
Pena, dó e empatia, infelzimente tudo isso exite em mim.
Feliz porém triste.
Será que eu consigo ?
Preciso Conseguir.
Necessito de Oxigenação em meu cérebro.
Coração palpita sem parar, sem descanso.
"Só essa movimentação me anima..."
Mas eu quero mais, muito mais.
Realmente eu Nunca estarei Satisfeito.
Com alergia à convivência,
Guilherme Fernandes.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ô abre alas, que eu quero "dormir..."

E lá se foi o carnaval...
Voltando a realidade:
404 e-mails pendentes em minha caixa de mensagens;
Isso é que é vida, hein?
Mas está tudo bem, Independente dos pesares, das atitudes imprevisíveis, das paranóias urbanas e da maquina da vida que não para de rodar...
Ela nunca para.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A imperfeição dos dias perfeitos

Temos a mania de buscar a perfeição, mesmo sabendo que ela não existe. Queremos dias perfeitos, como aqueles em que a sorte está do nosso lado e que todas as nossas atitudes são corretas e, não satisfeito, em que todas nossas vontades são atendidas. Confesso que tenho tido mais dias perfeitos do que dias para que eu possa refletir, e digo mais, ter dias perfeitos acostuma o ser humano a essa realidade.


Acabei tendo a pifia questão que todos os dias de minha vida necessitam ser perfeitos, só pelo mísero motivo de estar vivendo alguns deles... mas a verdade é que as coisas não são tão faceis assim. Tenho procurado me fixar nos momentos felizes e perfeitos, já que dias, com suas 24 horas, são muito longos. Dormimos em média 8 horas, trabalhamos 9 horas, estudamos 3, levamos em média mais 3 horas de manobras operacionais... logo, nos sobram apenas 2 horas para que a perfeição aconteça.
é claro que, em algumas vezes ela acontece, e passamos as melhores 2 horas de nossos humildes dias, mas, e quando ela não acontece ?

Entendemos por não acontecer como algo ruim, que nos deixa para baixo e ficamos frustrados, mas não é assim. Em alguns casos, apenas essas 2 horas passam, e por passar, as vezes você não consegue perceber e com isso elas acabam sendo "normais".


Má administração de tempo ?

Mas é claro que não. Isso é a coisa mais normal que pode acontecer em nossos dias. Não conseguimos ver muita coisa em nossa vida por conta das atribuições que nos são impostas por um trabalho, ou um estudo ou até mesmo uma familia. Eu mesmo sou um exemplo disso:

Minha namorada gosta de plantas. Gosta tanto que tem um jardim, que para mim, nos primeiros dias, apenas servia para trazer moscas e não nos deixar dormir e janela aberta. Mas ao longo do tempo, começei a perceber que as plantas possuem um aroma diferente de acordo com um determinado momento do dia, que os passáros se sentem mais seguros de pousar e assim podemos contemplar sua formosura e o seu voo, entre outras coisas.


Por isso que volto a ressaltar a importancia de se viver de momentos e não querer dias perfeitos, e mesmo quando um dia, ou um momento, for apenas "normal" valorize-o. E tenha certeza de que se hoje nada de novo aconteceu, ainda teremos mais dias e dias para apreciar a pequenez das substancias que nos cercam.