sexta-feira, 29 de maio de 2009

Restante

Textos, palavras e versos. Quando nada mais lhe sobra em vazios e pensares, o que consigo ver? Ao som de uma luz incandescente e algumas vozes por ouvirem meu clamor mudo, observo. Tento entender o que posso passar em algumas simples palavras, de forma econômica, que não canse ninguém, e que todos possam ler, em qualquer momento de sua vida. De mostro ao príncipe, de bela à Fera. Me iludo com o brilho de algo que foi cromatizado, revestindo meus sonhos e princípios até o fim. Cada vez mais complexo, cada vez mais metáforas.

Meu pensamento não consegue mais decodificar ele mesmo. Dou gargalhadas de mim mesmo. Zombo de minha capacidade de subverter alguns princípios em forma de poesias e de manipular meu passado e meu presente por um conjunto de palavras que, em alguns casos, não fazem sentido nenhum para mim. Estremeço com certas coisas.

Jogo-me de tal abismo que nem mesmo reconheço como cheguei até aqui. Na queda, vozes berrantes me mostram que deveria ter seguido o outro lado da estrada, e que meu orgulho não me deixou pensar na melhor maneira de sair deste campo minado em que só os surdos e cegos podem escapar. Procuro luz.

Descubro que quem tem voz não tem nada, e por isso, tento cair de forma mais branda, mais fria e mais detalhada. Como laranjas podres, meus pensamentos são jogados fora de uma grande lixeira chamada censura. Decidi falar comigo, e não cheguei a conclusão alguma. Já não consigo mais sentir meu corpo. Uma arma me é jogada. Quem sabe para acabar com o jogo de uma vez por todas. Acabar com as Metáforas?

Aponto então para onde não poderia mais sentir. Acerto meu coração. Lentamente sou contrariado por todos os preceitos; até que não consigo sequer me assassinar e acabar com o martírio, a queda. O que me resta agora?

Só me resta... acordar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Alforria

Hoje decidi me jogar nos ares de uma nova forma de pensar. Decidi rasgar os livros e escrever minha própria linha de raciocínio. Sem focos, sem mestres, apenas eu e quem mais quiser me seguir. Hoje destilo minha maneira áspera e doce de pensar. Como Horácio. Mas não tão igual. Nada é o que decidimos que seja, mas com isso, aprendemos a viver de forma mais e mais eufórica com as novidades já pré-estabelecidas em nossas pobres realidades.

Chuva. Hora de ficar debaixo do cobertor com quem se ama, e quem sabe tomar um chocolate quente, sendo invejado por milhões e milhões de seres sós, criteriosos e preconceituosos com seus próprios futuros. Aceito o meu e vou seguindo em frente, agora mais que sempre. Amanhã mais que hoje, é assim que seguimos, e é assim que aprendemos a não se machucar tanto nas quedas. Ou pelo menos aprendemos que todas subidas dependem das quedas. Nunca poderemos chegar no “alto” se não estivermos no “baixo”. Nas luzes de um telefone celular, esquecemos que as lampadas não estão funcionando. Nem aquelas das idéias.

Mais uma noite, que mesmo sendo igual a ontem, não existe a monotonia. Não conheço essa palavra, seja deitado, sonhando ou apenas acordado. Nossos dias nunca são iguais, então porque reclamamos de igualdade dos dias. O grande problema é que pensamos iguais em todos os momentos, com isso, culpamos o coitado do dia. Ele realmente não pode fazer nada, nem mesmo se defender. Culpo a mim mesmo pela monotonia, mesmo quando não a tenho comigo. Vivo sempre diferente em dias diferentes, mesmo que na essência, todos se pareçam uns com os outros. Não reclamo da vida, só me liberto e alguns pensamentos que não quero mais, em forma de textos, palavras ou até mesmo pelo silêncio. Silêncio que te cega. Contraditório ?

A partir de sempre decidi não me render aos românticos defeitos de todos os dias. Tento sempre fazer diferente, mesmo sabendo que de igual, só os gêmeos. Nem tão iguais assim. Mas iguais.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da criação de um monstro social

Confusão tem sido meu sobrenome durante uma boa parte de minha vida. Creio que, tentando ser mais exato, lá por volta dos meus 18 anos as confusões começaram a aumentar: Alcoolismo, fobias, introversões extrovertidas e afins caracterizaram um pouco do furacão que a maioria das pessoas me consideravam quando passavam. Tudo melhorou quando consegui um de meus primeiros trabalhos “de verdade”. Falo isso porque todos os trabalhos posteriores (Fast-foods, biscates e afins) não me colocaram no eixo da forma que o meu primeiro rabisco na carteira me colocou.

Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de janeiro, que beleza ! Lá estava eu, um funcionário do sistema escravista que aceitei viver sem escolhas. Com um horário flexível, trabalhava em uma central telefônica, hoje em dia vulgarmente chamada de call-centers, aprendia com vigor tudo o que me era proposto. Devoravas as regras de serviço, descobria os caminhos mais fáceis para resolver o que os clientes solicitavam. Mesmo que esse “resolver” fosse um simples “ligue mais tarde”.

Me revesti em uma armadura de hipocrisia e assim, subindo alguns poucos degraus dentro da empresa, fui me enganando dia após dia de que a minha excelência na função não passava de um “ligue mais tarde, que resolveremos seu problema.” Sempre me questionei sobre o dia em que isso voltaria para mim, já que acredito nessa besteira de que a vida é um grande espiral de atos, que se intercalam de acordo com nossas decisões. Algo como a parábola do semeador, só que um pouco mais evoluída e inteligente.

Pois bem, fruto de um erro da companhia, necessitei intervir com meu “amplo” conhecimento no produto, sendo o responsável direto para resolver esse problema. Sabia exatamente o que necessitava fazer, só que não poderia fazer, aqui do lado de fora, lidando com programados que só sabem dizer “ligue mais tarde, resolveremos seu problema”. Com quase duas semanas de ininterruptas ligações, o problema foi resolvido, porém tive que devorar os programados, e grudar como um carrapicho em um matagal nos supervisores. Tres ao todo. O primeiro creio que ficou com medo, tentando me dispensar logo na tática do “sim senhor”, concordando comigo como se eu fosse o ser mais certo naquele momento. O segundo nem me recordo, acho que porque não me fez muita diferença. Mas o terceiro, fruto de meus intermináveis desdobramentos, ora grosseiros, ora autoritários, puxando pelo pessoal e de forma mais atrevida do que qualquer um teria feito comigo no tempo em que permaneci na função de programado.

Com o problema resolvido, pensei melhor. Constatei de que havia me tornado um monstro, sem defeitos, com total conhecimento do que estava falando, sem o aceite de argumentos de nenhuma espécie. Um total Ogro, proveniente das terras de “Far, Far Away...”. Alguém que não merece o respeito que adquiriu a ferro e fogo dentro de um campo minado, necessitando quase que surfar em ondas de hipocrisia para obter o que lhe era possível até o seu limite naquele momento. Sinceramente, não mereço sequer estas linhas que escrevo sobre mim mesmo...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Não, eu não penso...

Penso muito.

Me perco em divagações e análises de minha própria vida quase que diariamente. Em poucas linhas tento me fazer um pouco menos só que em minha multidão de silêncios que me sufoca e não me deixa reagir, como se eu fosse apenas um simples instrumento que vive, e não um simples poeta urbano que retrata da forma mais clara possível alguns pensamentos em estado bruto.

Em troca de algumas palavras sinceras, me ponho a falar. Falo mais que o necessário e menos que deveria. Aquele ditado do “quem fala pouco, pouco erra” fica cada vez mais evidente em palavras que rasgam meu coração, mesmo que o excesso de segurança predomine nelas. Tenho aprendido a não falar tanto, uma vez que minhas palavras não são, em alguns casos, o balsamo que curará de todos os momentos em que não estive perto.

Mas e quando falam para mim ? Ainda não consigo entender o porque de tanto medo, de tanta apreensão, já que cada vez mais se é montada uma fortaleza impenetrável. E mesmo que não seja necessário estar em uma campo de batalha, estamos preparados para ela. Então porque do medo ? Tento entender, tento reverter esse medo em amor, essa insegurança em paixão desenfreada e as duvidas em planos infalíveis para o futuro.

Meu presente, minha retribuição... nada mais que alguns singelos olhares, muitos sorrisos e poucas duvidas, que me deixam relaxados de com a sensação de “missão cumprida”. Mas ainda não é o bastante. E creio que nunca será.

Não, eu não penso...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Limões doces... vidas amargas

Já sabia do que se tratava o filme “Lemon Tree” quando entrei na sala de cinema, com isso, minhas expectativas em relação ao longa já eram muito boas. Lemon Tree aborda a história de uma viúva que se dedicava ao cultivo de limões. Limões esses plantados pelo seu falecido pai. A vida da personagem começa a se transformar no momento em que o ministro de segurança se muda para uma residência em frente de seus limoeiros. Com a iminência de que as árvores seriam esconderijos perfeitos para os terroristas, a disputa entre a viúva e o ministro toma proporções mundiais gerando, para a protagonista, empatia de um jovem advogado e da esposa do ministro, além dos muitos oprimidos pelo sistema politico arbitrário atual, coisa muito comum para os padrões “fracos vencendo fortes”, que vemos no cinema atual.

Assim que comecei a assistir o filme percebi que essa temática não era o que realmente prendia minha atenção. Percebi que a disputa entre os personagens se colocava como um mero fundo para questões muito maiores. A longa briga entre Israel e Palestina foi apenas o arranque, porém alguns pensamentos provenientes de algumas questões do filme me deixaram seqüelas muito maiores assim que sai da sala de projeção: Até quando é válido seguirmos nossos idealismos, mesmo que esses sejam o inicio de reações irreversíveis ?

Nos afogamos em certezas bobas que acabam nos cegando em momentos que deveríamos ter calma e frieza para enxergarmos o que não podemos ver de forma clara. Independente da “moda da liberdade” que nos é jogada atualmente, onde podemos fazer “tudo” e nada será empecilho para nossas escolhas, acreditamos que a certeza está sempre do lado da maioria. E não pensem que sou um libertário qualquer, porque sou um humilde radical sem muitas possibilidades de adesão a essa nova pseudo-moda de liberdade em que vivemos.

Porque é tão difícil abandonar algumas idéias ao longo de nosso percurso ? Sofro com isso também, sempre naquele mesmo pensamento: “Se seguisse em frente, poderia ter conseguido”. Mas será que realmente conseguiríamos ? Ou seria eu apenas mais um radical que não abandona o que pensa, levando seus ideais até as ultimas conseqüências, gerando uma reação em cadeia sem precedentes, machucando pessoas que vão de encontro às minhas ideologias. E como se não bastasse, sempre ensaiaria meu belo e eloqüente discurso, seja ele de vitória ou de derrota. Parece que temos medo de não nos firmarmos como algo, caso nossas filosofias sejam esquecidas por nós mesmos.

Acabamos por esquecer que somos agentes de mudança, mas que o radicalismo e a moderação andam juntos em todos os âmbitos e mesmo que um sempre prevaleça (como é o caso da moderação), não podemos assim nos ater ao outro só para desenhar um quadro falso de liberdade ou rebeldia. Liberdade vigiada ? Quem sabe dessa forma possamos viver melhor, com mais respeito uns com os outros, sem muitas agressões mentais, sociais e espirituais, preconceitos e afins.

Assim como a protagonista do longa citado, creio que eu também lutaria para preservar a herança deixada pelo meu pai, assim como lutaria se os limoeiros fossem apenas uma pequena fonte de subsistência, que completasse ou não a minha renda mensal. Mas será que tomaria partido às autoridades que me retaliaram ? Creio que sim, e creio também que lutaria até as últimas instâncias para que tudo fosse resolvido e a memória de quem eu cuidei com tanto carinho fosse preservada. Quem sabe até não teria abertura para amizades, seja com o ministro, seja com a sua esposa. Mas como, no filme, o advogado encerra: “Apenas na América os filmes têm finais felizes”, esqueço todas essas especulações e me coloco mais uma vez engavetando alguns pensamentos

Limões doces, vidas amargas. Vivemos nesse paradoxo do que é realmente a felicidade, ou se precisamos chegar até um determinado ponto para que possamos assim ter a nossa catarse social. Enquanto decidem, paro e penso, e com mais açúcar em meu café, volto a me lembrar daqueles limoeiros. Assistam Lemon Tree.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

No limite das posturas

Até onde podemos extrapolar os limites de duas vertentes da consciência humana ? Podemos escolher qual “lado” defender, ou até mesmo qual lado ofender, mas uma coisa é quase que uma certeza: Vivemos por próprios limites, independente de qual opção se julgue mais favorável em seus dias. Até onde você deseja levar a sua vida normal, sem radicalismos, sem grandes emoções ? Ter uma vida calma, um bom marido, filhos, faculdades e todos os outros preceitos de uma vida sem a menor vontade de criar algo novo. Mas em que ponto a “monotonia dos dias iguais” te fará engolir que esses preceitos que defende são os verdadeiros preceitos para o encontro da felicidade que todos procuram ? Inclusive você.

E os radicais ? Sempre donos de um pensar livre, sem regras, vivem como se o mundo fosse um grande baile de carnaval, contestando tudo e todos e assim escrevendo a sua história em dias tortos e cansativos. Não deseja uma nova família, a procriação se torna algo cada vez mais distante ou acidental, muitas vezes deixa que a luz do brilhantismo intelectual se apague pela vida acadêmico-enfadonha. Enfim, alguém com muitas expectativas, com muitas mudanças e sem nenhum foco para onde “atirar” as suas certezas.

O que escolher quando as portas estão sempre abertas no que se refere ao firmamento de sua personalidade. A mentira da vida normal te aconchega e a verdade dos anos que passam te seduzem, mas nada disso pode ser medido sem experiencias. Precisamos sempre provar para saber o que realmente nos apetece. Precisamos beber a água da fonte para saber se realmente é aquele gosto que você decidirá levar para o resto de seus dias. Independente do tom profético dessas palavras, observo que há possibilidade para mudanças em todo e qualquer tempo, basta uma motivação verdadeira e, quem sabe, um coração que bate mais forte.

Correria, baladas, noitadas, estudos, famílias, amores, desamores, tristezas, felicidades, bipolaridades, futebol, salão de beleza, necessidades fisiológicas, café, endorfinas, dopaminas, limonadas, almoços, jantares, mudanças, firmamentos, trabalhos, demissões, cachorrinho, bicicleta, moto, carro, feijão, arroz, nexo, burrice, inteligencia, homossexualismo, decisões, masculinidade, probabilidades, sobrancelhas, intenções, musica, caminhadas, prisões de ventre, igrejas, celulares, notebooks, decepções e banalidades... a escolha é sua.

* Texto inspirado em “Vicky Cristina Barcelona” de Woody Allen.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Apenas escolha...

Sempre levei uma vida de escolhas, assim como todas as pessoas que se propõem a viver de uma forma mais sincera e justa consigo próprio. Já sabia que as escolhas são fardos que carregamos para sempre (ou quase) em nossas vidas quando comecei a tomar algumas decisões que poderiam me corromper ou me glorificar por toda vida. Salvo em alguns casos, nunca tive muita coisa que me prendesse, uma vez que minhas escolhas assim me direcionavam a um caminho de certezas incertas, como um rapto de todos os meus conceitos sobre a moral e os bons costumes.

Como se procurasse os pares certos de meias para um ótimo espetáculo fui assim abordado, de forma abrupta, mas nunca de forma indevida, para subverter algo que em 6 anos nunca pensei sobre. Creio que 30 segundos se passaram antes de tomar uma decisão até aquele momento visto como algo impossível, mesmo que não acredite nessa denominação. Os destroços foram juntados de forma rápida, como um simples quebra-cabeça educativo, em que juntava peças que em 23 anos nunca pensei que existissem dentro de mim. Minha cabeça não parava de martelar a incerteza das conseqüências de um aceite ou uma negação. Gostaria de ter mais tempo para pensar já que tenho tentado, por enquanto de forma inútil, viver sem as frustrações de se decidir as coisas no limite entre o pensamento e as atitudes provenientes dos pensamentos.

Um olhar brilhante esperava uma resposta positiva, que poderia modificar tudo o que construí (ou destruí) em um largo período de tempo, com os mais variados argumentos imperfeitos para me adequar a essa nova realidade. Mas aqueles olhinhos brilhantes, que tanto me ajudam a racionalizar tanta coisa, esperavam, como que uma eternidade, uma resposta clara, rápida, e, se possível, positiva. Os flashbacks em minha mente não paravam de ocorrer. Desde minha infância, passando por minha juventude rebelde, me levando até o determinado momento em que aquela decisão simples, poderia mudar o rumo de muitas coisas. Ou pelo menos poderiam iniciar uma reação.

Logo eu que nunca ponderei muito para decidir algo me minha própria vida agora me vejo cercado com apenas uma opção a seguir. Os caminhos podem ser abertos de forma mais fácil, ou então, fechados de uma forma tão aniquiladora que me dá calafrios só de pensar. Pensando pelo lado da razão, achei válido, até porque do que sobreviveria as redenções se não houvessem pecadores, mas por outro, me assustei apenas com a hipótese de não se concretizar o efeito esperado.

Por fim aceitei com medo, e consegui satisfazer aquele lindos olhos brilhantes, sendo coroado com um belo sorriso e um abraço, daqueles bem apertados metaforizando um obrigado por tudo. Vendo pelo meu ponto de vista, tudo poderia se transformar em uma tragédia, mas, que tragédia é bastante a ponto de evitar uma reconstrução, no caso de perda total ? Partindo dessa forma e de todos esses anos em que as minhas atitudes sempre foram grandes surpresas para quem esperava, causando medo ou euforia do interlocutor, mantive o nível de forma exuberante. Mais uma vez, em mais um ano minhas atitudes surpreenderam, só que dessa vez de forma positiva: Quem esperava o silêncio, ganhou algumas boas palavras, e quem esperava o nada, parece que ganhou o tudo. Tomara que eu esteja certo. Tomara.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Com "Ele"

"Entre e sente-se. Não precisa ter pressa em tomar seu café. Enquanto falo, peço-lhe apenas um pouco de atenção em minhas simples palavras.”

E assim começou a minha conversa com ele. Primeiramente falamos sobre a fé. Tratamos de alguns assuntos relativos a moral e os bons costumes que a sociedade lhe coloca como ponto de partida para uma vida feliz. Ele também não acredita na fé. Ou melhor, acredita, mas de uma forma bem diferente do que se é mostrado hoje, em que preceitos pessoais lhe são impostos por um ilícito bem maior. Nem precisei falar sobre as mascaras pessoais que colocamos para sair de casa e enfrentar um dia a mais todo dia.

-“Mais café” ? Disse a ele.
-“Um pouco mais, só que sem tanto açúcar.” Respondeu-me

Como essa vida de mascaras me deixa chateado. Assim como a roupa que escolhemos temos que escolher as mascaras que vestiremos para uma determinada ocasião. Como se escolher uma roupa adequada para um determinado momento já fosse muito fácil. Prosseguimos nosso humilde diálogo. E os governantes, o que falar deles ? Nada, até porque, nem eu nem ele estávamos interessados em politica naquele momento. Muito mais interessados estávamos em sorrir de algumas piadas que falávamos em alguns momentos. Os sorrisos eram fáceis, e podíamos perceber a intensidade de cada idéia que era jogada no “ar”. Respirávamos questionamentos e sabíamos que não conseguiríamos terminar esse papo. O café já estava acabando e as certezas sequer haviam aparecido.

-“Alguma vez, já se apaixonou” ?
-“Sim, mas fui traído. Desde então não me apaixonei por mais ninguém.”

Entendi perfeitamente a falta de confiança no ser humano, algo que sinto em algumas vezes, salvo algumas pessoas com quem aprendo e sorrio quando abro meu coração. Expliquei-o que vivo de uma forma diferente. Sim, utilizo alem das roupas as máscaras que tanto odeio, mas que em um determinado momento posso tirar essas vestimentas sociais sem medo de ser machucado. Mesmo com a sua feição de dúvida, mais um sorriso par foi mostrado. Percebi que ele ficou feliz por saber disso, visto que já me conhecia de outros carnavais e que nunca tinha tido essa oportunidade. Perguntei a mim mesmo: “Oportunidade ?”

Em alguns momentos de nossa humilde vida, não abrimos nosso precioso tempo para obter novas experiencias, fazer novos contatos e quem sabe, retirar alguns sorrisos com isso. Ao vê-lo sair pela porta da frente, entendi que realmente existe pessoas educadas, inteligentes, e que conseguem me fazer ainda acreditar em coisas que por hora não acreditava mais, ou apenas pensava que não. Logo, um sol quente e aconchegante me fez colocar uma roupa nova e sair para encontrar com quem preenche o meu coração em todos os momentos. Encontrar com quem me faz sorrir fácil.

Nesse momento, acordei. Mais um dia chuvoso, mais um dia de trabalho, mas um dia normal. Nossa conversa ficará guardada no livro da vida. Não o livro da vida bíblico, até porque ninguém aqui falou de mitos religiosos e coisas do tipo. Falamos de algo concreto que existe em nossos corações. Foi o sonho mais real que tive até hoje. Nossa conversa ficará guardada, tenha certeza.