terça-feira, 30 de junho de 2009

To Michael

Complicado não parecer piegas em escrever sobre Michael Jackson no momento em que se apresenta, porém não tenho como negar à gigantesca influencia que sua música teve em minha vida. Costumo dizer para os outros (salvo em minha época de obtusidade metaleira) que se hoje eu, com quase vinte e quatro anos, tenho que agradecer á alguém por conta de meu interesse no mundo da música, posso conceder meus sinceros agradecimentos a três pessoas: Freddy Mercury (Queen), Jonathan Davis (Korn) e Michael Jackson.

Não estou aqui para falar que ele ultrapassou gerações com sua música e todos os outros blá blás que temos nos acostumado a escutar nesta semana. Gostaria de compartilhar a minha estupefação por Michael. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que vi o Clip de “Remember in Time” na televisão. Foi em um domingo e o álbum Dangerous estava em alta. Meus pais, depois de muita insistência no dia em que saiamos para fazer as compras do mês, me presentearam com o álbum, ainda em vinil.

Ontem, após concluir alguns loops de bateria para o projeto Atasco, me livrando da ressaca da banda Aurorah, comecei a preparar o tracklist para mais uma semana, como costumo fazer todos os domingos. Decidi separar algumas músicas do Michael, até mesmo como forma hipócrita de um luto besta, mas verdadeiro, ao rei do pop. Sabe, deu saudade, pena, misantropia ao escutar a mesma canção que há alguns anos fiquei embasbacado vendo o vídeo clip na “revista inteligente semanal” que todos tem como uma religião.

Saber que Michael foi só mais um a sofrer na sociedade das aparências coloca abaixo todas as minhas teorias de que a felicidade não está na imagem. Acabamos por nos preocupar com isso, comprando roupas e exagerando nas maquiagens, para os desprovidos financeiros, e com plásticas, botox, lipos e afins, para os que são possibilitados para agir de tal forma. Acorrentados estamos, já dizia Felipe Cheheuan, do Confronto e com certeza estaremos. Até quando, não sei... Por hoje apenas uma lágrima, um play no mp3 e vamos seguindo a vida, até a próxima catástrofe.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Soneto da Condescendência

Hoje vejo que o melhor já não te basta
Mas será que alguma vez bastou?
Em cada passo, posso ver o não passar
E recolher o meu melhor que se quebrou

Que as palavras que eu escrevo possam ter
Um destino, mesmo sempre que o amor
O horizonte desfocado não poder
Meus demônios não me deixam acreditar

Se minha linhas te machucam por saber
O que passa em minha mente e coração
Espero que meu amor ainda possa te rever

Não podia esperar o que passou
E em meus tortos pensamentos
Penso se o meu melhor que não bastou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Falência Moral

“Chorava o leite derramado;
Tudo que havia conquistado;
Bens Patrimoniais, relações profissionais;
e agora nem sabia muito bem pra que” *


Viver no passado projetando o futuro, essa é a lei para alguns. Resmungam e choram por um passado que, no momento em que vivia, não se dava a rela importância. Hoje, derrotado, fracassado e falido, tenta ver nele, a sua única forma de sobrevivência no futuro. As balinhas de ecstasy de um perdido, é assim que chamo essa total volta ao passado, seja para se sentir importante em um momento de efemeridade pessoal, seja para apenas matar as saudades.

Como podem observar, minha relação com o passado não é muito amigável. Por motivos óbvios, reitero as palavras de nosso saudoso José de Alencar que no seu romance “Luciola” afirma que “lembrar é viver novamente”. Para que eu deveria reviver uma coisa que já passou. Prefiro guardar minhas memórias dentro de minha memória e ir apagando-as de forma homeopática, a medida que novos “passados” se façam em minha vida. Mas agora se utilizar de conquistas póstumas para tentar forjar um futuro irreal, penso eu, que beira ao absurdo.

Não falo de quem começa no fim porque começar no fim é sempre válido, mas coloco minhas palavras em oposição aos que querem fazer do futuro uma espécie de uma “parte 2” de seu próprio passado.

No limite do fracasso humano, vejo pessoas que, já viram, viveram e não venceram. Se encontram perdidas, ou melhor, para manter a pose de um conteúdo falso, ainda não “encontrou nada que seja bastante o suficiente” para o seu respeitoso passado. Conheceram as pessoas mais influentes, possuem as histórias mais engraçadas e realizam as experiências mais importantes da rodinha dos fracassados: Namoros financeiros, belos restaurantes, viagens para o exterior, enfim, tudo o que todo ser humano sonha e, de certa forma, almeja. Cá com meus botões penso: Se conheceram as pessoas mais influentes, por és hoje um fracasso ? Porque as histórias “ultra engraçadas” não me fazem dar um sorriso espontâneo ? E será que já ter feito “isso ou aquilo” a mais do que os outros é o sinônimo de ser alguém bem sucedido ?

Todos nós temos um tempo. Falam isso dos pré-socráticos aos escritos bíblicos de Eclesiastes. E quando nosso tempo acaba, creio eu que já devemos de estar satisfeitos por temos tido as oportunidades que nos foram cedidas pela vida. Os trabalhos, as estudos, os amores, os sorrisos... chega uma hora que tudo isso acaba, e, se lhe sobra algo a mais do que o tal “vazio da idade” porque mudar esse quadro ? Porque se aventurar em uma vida que não lhe pertence mais, a ponto de se prestar a algumas situações ridículas e assim tentar sobreviver em um mundo que a rapidez não é mais a arma, e sim o quesito básico para esse mundo milhões de informações que a todo se atualiza, tão rápido quanto a um F5. Não temos controle de nosso tempo, com isso, nunca conseguiremos controlar o nosso futuro. “De verdadeiro nem os dentes da frente...”*

* Jay Vaquer – Breve Conto de um Velho Babão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ciclos Termináveis

Será que o tudo que vivo é realmente só isso ? Questionei sobre a vida ontem. Os motivos, não necessito expor, mas preciso esvaziar algumas poucas frases sobre o assunto. Nosso poder de escolha é ilimitado, podemos ser, não ser, fazer, não fazer, enfim, podemos escolher tudo e qualquer coisa. Vivemos escolhendo, decidindo, delegando funções a nós mesmos e nunca estamos satisfeitos com nossas próprias decisões. Mas no fundo destas questões me pergunto: O que nos sobra no final ? Será que viver uma vida de escolhas nos deixa alguma coisa, que não seja aquelas respostas pré prontas auto afirmativas que passam a mão em nossa cabeça e, para um bom entendedor, mostra que realmente o nada seria a resposta mais adequada ? Ou será que pelo fato de não poder escolher nunca se sobrará nada, já que quem não tem nada, nunca precisará de mais nada ? Acabo por argumentar em algo que nunca terei a alçada suficiente para fornecer certezas.

Certa vez, em minhas andanças pela cidade cinza, conversei com um mendigo. No frio de uma madrugada em que a melhor companhia seria nada mais do que uma boa dose de um conhaque vagabundo, eis que ele se senta. Me pede um cigarro. Digo que não fumo. Ele me agradece por não fumar, diz que provavelmente eu vivo melhor por isso. Logo, ao longo da conversa (não, não era um monólogo, como faço hoje) ele me diz: “Sabe, meu filho, do tudo o que você tem é o nada que você fica”. Ao escutar aquilo, comecei a pensar sobre o que sobra nos caminhos que escolhemos. Hoje, chego a conclusão de que o que nos sobra é quase nada. Ou será que depende da forma como olhamos, daquele papo de pontos-de-vista ? Desacredito um pouco sobre isso. Penso que da forma que nos vemos o que sobra é um pouco mais que o pouco que nos resta habitualmente. De que adianta o saber que adquirimos na estrada se não teremos interlocutores suficientes no mundo para utiliza-lo ? Ou de que adianta o carisma, a audácia e outros atributos benevolentes se não teremos uma chance, ou mesmo não a daremos para nós mesmos, de expor todas estas maravilhas de bondade ínfima e frívola, que até o próximo “calo” será muito bem utilizada. Depois ...

Talvez eu rotule demais a vida e não a viva de forma correta e leve. Mas se eu não a rotulasse, será que alguém pensaria as coisas que eu penso ? Ou será que estaríamos fadados a viver uma vida fria e sem a quantidade de informação de uma que nos engole todos os dias. Acabamos por viver um ciclo terminável, em que em algum momento, acabará as buscas pelo conhecimento, pelo bom caráter e pelas aventuras por conta das escolhas que fazemos pelos dias que nos passam. E o que lhe sobrará ? Pelo menos gostaria que eu, com estas palavras, ficasse no imaginário de todos o que rodeiam. Pensando sobre isso, acabo por perder a inspiração para escrever mais. A televisão está alta. O frio está batendo e eu preciso fechar a janela. Posso fechar as janelas, mas será que esse frio do futuro me deixaria em paz. Creio que não. Do tudo o que você tem é o nada que você fica... Pense.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Eu falso da minha vida o que eu quiser - Paulinho Moska

Sabe o que eu falso da minha vida?
Eu falso da minha vida o que eu quiser.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A estrela de um céu em chamas...

“Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer. Na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é um instante de glória de cada um, e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes”

Macabéa, grávida do futuro, ao atravessar a rua é atropelada por um Mercedes amarelo. Logo agora sua vida teria grandes possibilidades de melhora. Logo agora.

-Quanto ao futuro. Profere a nordestina, agonizando.

Pergunta ou afirmação ? Nunca saberemos o que ela quis dizer, ou, o que foi real para aqueles poucos momentos em que o mundo começava a enxerga-la. Estava começando a garoar. Macabéa, apática, datilógrafa e fã de coca-cola vivia (ou não) o filme de sua vida. O pobre filme de sua existência. Parecia uma daquelas artistas iniciantes, que ganhavam pouco para quase não ter falas em cena. Apenas aparecia ali porque necessitava preencher algum espaço. E agora, sangrando, tinha a atenção dos transeuntes que por ali passavam vivendo também como coadjuvantes de suas vidas.

Com apenas dezenove anos, Macabéa, já não se acordava de seus pais. Estava ali como uma figurante que aguarda de forma inquieta e introvertida a sua vez. E essa vez que nunca chega...
Suas poucas palavras de pouco adiantavam para sobreviver. De forma condicionada e quase que hipnótica se via entupida de uma cultura efêmera, que guardava em seus poucos pensamentos para que um dia, se precisasse, poderia utilizar. Adorava a rádio relógio. Ela também não tinha o hábito de vomitar, já que não gostaria de desperdiçar, mesmo desperdiçando assim, a sua vida na inércia.

Para que não se façam de desentendidos lhes falo: A inércia é diferente da solidão. Uma o esvazia, a outra, lhe preenche. A solidão te dá vida, como um cigarro. A inércia te mata. “Que os mortos me ajudem a suportar o quase insuportável já que de nada me valem os vivos”. Complicado demais falar dessa nordestina. Nada para falar de quem não fala. “Talvez a nordestina já tivesse chegado a conclusão de que a vida incomoda bastante”.

-Falar de que ?
-Você não é gente ? Gente fala de Gente ?
-Desculpe, mas acho que não sou muito gente.

A virgem dos ombros para frente, a cerzidora de formigas, que nunca tinha ido ao médico e sequer sabia o que era um remédio, comprava as vezes uma rosa. Seja para aliviar um pouco de sua pseudo vida ou para amenizar a tensão de sua própria história. E agora, caída no chão em posição fetal, pensava em seu vinculo com a vida: Sua tia, Sr. Raimundo, Glória e Olímpico. Não pensava em sua própria vida, já que não sabia se tinha uma. Decidiu apenas esperar o que o homem magro de paletó puído terminasse de tocar a sua canção em seu violino desafinado. Desafinado como Macabéa.

“Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”

terça-feira, 2 de junho de 2009

Considerações sobre...

Entre os dias que não passam e os momentos que nunca esqueceremos, trocamos abruptamente nossas vestimentas e percebemos que nossa essência continua intacta. Pode parecer besteira, mas é a mais pura realidade. Não mudamos nossa essência. Nada difere o rapaz de roupas bem passadas e de barba feita do “Pavão” de uma semana atrás. Acordar mais cedo que no necessário, porém, poder escutar mais música durante o percurso. Sempre existem vantagens. Sem barba, mas com as oportunidades em um local alcançável. Trinta anos mais jovem por conta da barba, e com isso, o retorno do animo para viver.

Vivemos de forma tranqüila, quase que apática se pararmos para refletir em nossa estrutura. Só que, de repente, modificamos de forma rápida nossos movimentos e mudamos nosso norte para que possamos sorrir mais. Mesmo sem saber, tentamos. Aquela velha história do “se parar e pensar, não faz” , por isso, não, eu não penso. O cansaço físico só me fortalece e me dá gana para lutar ainda mais. Só o que me incomoda é a possibilidade de um teste de resistência ao caos que, com certeza, acontecerá. Me inflama também ter que, de forma definitiva, estragar o jantar de outrem. Para mim, nada de mais. Para ele, o possível fim. Se vocês estivessem aqui do meu lado, enquanto escrevia este texto, veriam a minha cara de “preocupação”.

Lendo “A hora da estrela”, e até sexta feira teremos uma poesia em prosa sobre Macabéa e companhia LTDA, para ser lida na próxima aula de Literatura. Alias, os números atuais vem me distanciando desse meu momento de me esvaziar por meio de meus textos, mas creio que será um afastamento provisório, assim como me identificam os meios eletrônicos. Espero que esse título se desvencilhe logo de minha vida, principalmente na Literatura. Preciso estar cheio de pensamentos críticos para me esvaziar, e assim devotar o meu pensar. Isso tudo só perde para o meu Amor.

Falando nisso, estamos firmes, prosseguindo em passos, ora largos, ora pequeninos, não deixando a chama real se apagar. Chama essa de possibilidades inesgotáveis. Mais acesas que nunca. Sabe que está batendo uma saudade de minhas férias...

Não me recordo de ter tirado férias. Já fiquei no ócio, que é completamente diferente, mas não de férias. Não viajei, não fiz passeios românticos ou muito culturais. Fui ao cinema, ao teatro, ao cafe a padaria, enfim, coisas que faço normalmente, estando ou não vacante. Pensando melhor, adorei ter mutilado os últimos dias de minhas férias, e com isso, ter mudado de ares. Tão poluído quando, ou mais até, já que os carros não param. Reclamar ? de que ? Escutando música, sorrindo com a patroa e comendo menos besteiras. Nunca. Até porque estou com fome: Fome de expectativas.

Não fumaria um cigarro, mas aceitaria se alguém estivesse afim de me pagar uma bebida, só mesmo para relaxar. Ou não. acho que consigo relaxar sem a bebida. Eu já sabia disso, só acho que não acreditava nisso há uns sete meses. Por enquanto é isso: Macabéa, Provisório, Mais Música, Chamas e Sorrisos e Ar Poluído. E lá vai aquele rapaz de roupas alinhas mais uma vez. Sentiremos falta das bermudas e dos All-Stars. Talvez no sábado. Ou Talvez uns chinelos. Maldita correção o Open Office.