segunda-feira, 27 de julho de 2009

Comentem

Em meio ao processo intenso de criação, segue abaixo um trecho do capítulo inicial de meu livro, a ser lançado, provavelmente, no segundo semestre de 2010... Agradeceria por comentarem, mas não comente, apenas leia baixinho, para que sintas o que senti. Perdoe-me pelos erros de concordância e ortografia, escrevi isso e mais quatro páginas na madrugada do ultimo sábado... Quase amanhecendo e ainda não tive tempo de corrigi-lo. Mais uma vez, espero que gostem.
(Guilherme Fernandes)


“Percebo uma lágrima. As saudades são verdadeiras, mesmo que eu ainda não tenha começado, mesmo que o meu cronometro regressivo para um novo anoitecer ainda não tenha sido zerado, ela aparece. De forma cortante, tão afiada quanto uma navalha, pronto para te ferir de forma desumana, desleal, infame. Água pura, levemente salgada, brota de meus olhos, como se eu nunca mais fosse conseguir me despedir da noite. Pelo menos não mais desta. O badalar do relógio central me avisa de que tenho que despertar de meu sono, abandonando os meus sonhos, ou postergando-os, na esperança de que a noite seguinte seja bondosa comigo e me traga as minhas aspirações, as minhas utopias, as minhas histórias perfeitas, de volta ao cenário que, contra minha própria vontade, preciso abandonar neste momento. Tento guardá-los em vão, já que sei que a correria do que me espera ao abrir os olhos me fará esquecer-se de tudo o que foi idealizado, programado e concluído na noite passada. Porcaria de noite passada! Ao menos poderia ter me avisado de que estava partindo, assim, de alguma forma, tentaria me preparar para a perder você. Mas quem sou eu para exigir isso de uma simples noite? Nem mesmo eu consegui te avisar que eu estava partindo... Apenas me viste dobrando a esquina. Escutei soluços naquele momento, porém, não sabia os identificar. Não distinguia os seus dos meus...”

sábado, 25 de julho de 2009

Se podes ver, repara

Desde Junho do ano passado finjo me preocupar de que precisava rever o grau de meus óculos. Sempre tinha algo mais importante, como dormir até mais tarde, ver um filme repetido na sessão da tarde ou escutar as mesmas músicas que escutaria se me dispusesse a ir ao oculista. Só que depois de um tempo os meus próximos pararam de me perguntar quando seria a minha revisão de grau. Ou em algumas vezes eu mesmo me “chibatava” para poupar as lições de moral que sempre recebo. “Nossa, preciso conseguir um tempo para fazer essa revisão, já passou da hora”. Mas nunca tinha tempo, mesmo que o dia se mostrasse com mais horas que o normal.

Sábado passado, eu poderia ter saído do dentista e parado no primeiro oftalmologista de plantão e fazer um exame... Coisa rápida, não duraria menos de meia hora. Mas eu tinha um compromisso importante: Estaria reencontrando um casal de amigos que são muito importantes para mim. Até então, sem problemas. Sem problemas se eu não tivesse saído do dentista as 10h00min e nosso encontro tivesse sido marcado para as 13h00min! Pois bem, sem problemas quanto a tudo: A cerveja estava bem gelada, a sardinha maravilhosa, e as conversas cada vez mais afiadas. Ensaios de brigas foram feitos, coisas que sempre acontecem quando se senta a mesa dois casais de amigos com total acesso as suas opiniões e pontos de vista. Mas até então sem problemas.

Aquela “esticadela” básica até outro bar... Mais cerveja, frango frito, e uma goleada monumental do Goiás em meu Fluminense. Mais ensaios de brigas, mais conversas, mais sorrisos. A despedida, o abraço e a promessa de estarmos juntos mais breve do que o último intervalo, de quase seis meses. Ao chegar em casa, retiro o livro do Maquiavel que tinha acabado de ler, e mais dois livros adquiridos no tempo em que deveria estar no oftalmologista fazendo a revisão de grau de meus óculos, atrasados há mais de um ano. Fome, sono, tentativa de ver um filme, cama.

Domingo: Almoço com a mamãe! Nos preparativos, pego na estante o “livrinho da moda” do Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” para reler, já que havia lido bem antes da obra chegar ao cinema e ser indevidamente incompreendido por grande parte do publico, fenômeno esse totalmente explicado pela preguiça dos espectadores em pensar um pouco mais além sobre o filme, ou de se dar o trabalho de ler, que seja, um breve resumo sobre o que esperariam no filme. Mesmo assim, como estou em mente com um projeto de apresentar em algum lugar alguma coisa sobre a subversão da realidade por este grande escritor português, decidi reler o romance para afixar melhor algumas coisas que poderei, em breve, precisar.

Em algum momento meus óculos, vencidos e arranhados, caíram de minha face... Não me preocupei em encontrá-los, já que o que estava fazendo era bem mais importante. Só que o meu pé esquerdo o encontrou, e lhe “beijou” de forma tão suave, que nem mesmo as tentativas da minha sempre bondosa namorada-quase noiva-futura esposa em colá-lo, foram de grande êxito. Conclusão: em menos de uma semana a revisão de grau, a troca de armação e o mais importante, o tempo, foram encontrados para que eu pudesse ajeitar mais uma coisa que, por simples preguiça e desleixo deste que vos escreve, ainda não foi feita.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sacudindo a poeira

Chegou a hora de tirar um pouco da poeira deste blog... Quanto tempo que não escrevo nada, acho que desde a morte do Michael. Digo escrever de postar, mas a produção continua fluindo e fluindo...
Então, acho que necessito me explicar com os poucos que passam por aqui:

Tudo começou com as minhas férias, em que fiquei fora da internet, já que acessava a rede de forma diária por lá... Logo após a minha troca de emprego e a adaptação a ele. No meio dos acontecimentos, necessitei me concentrar em algumas leituras que geraram a minha apresentação na semana de letras da minha ex-faculdade. Apresentação essa em tom de despedida já que no próximo semestre estarei na faculdade publica. A transição da Aurorah para o Atasco também foi interessante: Revirando algumas melodias, me adequando a uma tecnologia para as pré produções, criação de loops para as velhas canções, enfim, o que deveria ser feito por umas seis pessoas foi feito por mim... Mas esgotei, não vejo à hora de gravar as canções e os poemas que farão parte do meu primeiro registro solo como cantor, o EP – Escolha A Sua Máscara... Sim, eu em algum lugar desse blog anunciei que o EP se chamaria “Um pouco menos que você...” Só que as coisas mudam, e com isso, as homenagens e ofensas mudam o foco... Mas teremos, creio que em um mês e meio, seis ou sete faixas da mais pura musica sem rótulos... Terá tudo que as musicas com rótulos possuem, mas será diferente, pelo menos penso seu... Sem muitos experimentalismos, só musicas com algumas guitarras e algumas letras sobre algumas coisas...

Tenho estado bem concentrado em algumas leituras de nomes como Saramago, Clarice, Maquiavel, Pauls, Todorov e afins para a produção de meu primeiro registro literário. Falando nisso, lembro-me todos os dias que necessito começar a anotar meus esboços, para que as idéias, mesmo em fase de formação, não fujam no momento em que estarei na frente de um PC ou de algumas folhas para dar vida ao meu primeiro livrinho. Basicamente, será a história na vida de uma pessoa que passa todos os seus dias pensando. Mas ainda estou com alguns questionamentos: não sei se relatarei apenas um dia, ou alguns dias, ainda não sei se o personagem morre no final, ou se ele se casa, ou então se ele se muda para o Nepal com o grupo de missionários que ele conhece pelo caminho (!)... Mas creio que isso só será decido quando o processo propriamente dito começar.

Assim, fico feliz em dizer que não me lembro a ultima vez que verifiquei a minha caixa de email. Viver sem os compromissos virtuais é maravilhoso! Sem precisar responder emails com rapidez, sem necessitar atualizar fotos para ostentar sua pseudo beleza, ou então sem atualizar os milhares de “abouts” sobre você, que mostram que você é somente mais um superfulo tentando se mostrar inteligente, ou seja lá o que for. As pressões quanto as outras coisas também... sem as ofensas consumistas e os problemas virtuais gerados por quem não vive mais sem, posso dizer que sou um novo homem, quase que um homem sem vícios... E sem orkuts, msns, facebooks e afins... Acreditam que eu sequer sei o funcionalismo do tal do Como é bom ser um alienígena nas conversas sobre as atualidades...

Falando sobre atualidades, quanta coisa acontecendo... As mortes, assaltos, misérias cotidianas também, mas tenho todo dia a impressão de que tudo está passando rapidamente. Sim, aquela baboseira de “um dia a mais é um dia a menos”.

Então é isso: Aguardem o meu disco, aguardem o meu livro, aguardem os próximos posts... Ou não.