sábado, 25 de julho de 2009

Se podes ver, repara

Desde Junho do ano passado finjo me preocupar de que precisava rever o grau de meus óculos. Sempre tinha algo mais importante, como dormir até mais tarde, ver um filme repetido na sessão da tarde ou escutar as mesmas músicas que escutaria se me dispusesse a ir ao oculista. Só que depois de um tempo os meus próximos pararam de me perguntar quando seria a minha revisão de grau. Ou em algumas vezes eu mesmo me “chibatava” para poupar as lições de moral que sempre recebo. “Nossa, preciso conseguir um tempo para fazer essa revisão, já passou da hora”. Mas nunca tinha tempo, mesmo que o dia se mostrasse com mais horas que o normal.

Sábado passado, eu poderia ter saído do dentista e parado no primeiro oftalmologista de plantão e fazer um exame... Coisa rápida, não duraria menos de meia hora. Mas eu tinha um compromisso importante: Estaria reencontrando um casal de amigos que são muito importantes para mim. Até então, sem problemas. Sem problemas se eu não tivesse saído do dentista as 10h00min e nosso encontro tivesse sido marcado para as 13h00min! Pois bem, sem problemas quanto a tudo: A cerveja estava bem gelada, a sardinha maravilhosa, e as conversas cada vez mais afiadas. Ensaios de brigas foram feitos, coisas que sempre acontecem quando se senta a mesa dois casais de amigos com total acesso as suas opiniões e pontos de vista. Mas até então sem problemas.

Aquela “esticadela” básica até outro bar... Mais cerveja, frango frito, e uma goleada monumental do Goiás em meu Fluminense. Mais ensaios de brigas, mais conversas, mais sorrisos. A despedida, o abraço e a promessa de estarmos juntos mais breve do que o último intervalo, de quase seis meses. Ao chegar em casa, retiro o livro do Maquiavel que tinha acabado de ler, e mais dois livros adquiridos no tempo em que deveria estar no oftalmologista fazendo a revisão de grau de meus óculos, atrasados há mais de um ano. Fome, sono, tentativa de ver um filme, cama.

Domingo: Almoço com a mamãe! Nos preparativos, pego na estante o “livrinho da moda” do Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” para reler, já que havia lido bem antes da obra chegar ao cinema e ser indevidamente incompreendido por grande parte do publico, fenômeno esse totalmente explicado pela preguiça dos espectadores em pensar um pouco mais além sobre o filme, ou de se dar o trabalho de ler, que seja, um breve resumo sobre o que esperariam no filme. Mesmo assim, como estou em mente com um projeto de apresentar em algum lugar alguma coisa sobre a subversão da realidade por este grande escritor português, decidi reler o romance para afixar melhor algumas coisas que poderei, em breve, precisar.

Em algum momento meus óculos, vencidos e arranhados, caíram de minha face... Não me preocupei em encontrá-los, já que o que estava fazendo era bem mais importante. Só que o meu pé esquerdo o encontrou, e lhe “beijou” de forma tão suave, que nem mesmo as tentativas da minha sempre bondosa namorada-quase noiva-futura esposa em colá-lo, foram de grande êxito. Conclusão: em menos de uma semana a revisão de grau, a troca de armação e o mais importante, o tempo, foram encontrados para que eu pudesse ajeitar mais uma coisa que, por simples preguiça e desleixo deste que vos escreve, ainda não foi feita.

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